Otto Lancelle nasceu em mar./1885 em Xanten, cidade da região do rio Reno. Aos vinte anos ingressou na Marinha Imperial, entretanto pouco tempo depois foi transferido para o Exército onde participou da 1ª Grande Guerra como Capitão e foi condecorado por bravura em combate com uma das maiores honrarias da época - a Pour le Mérite (vide detalhes aqui). Em mar./1920 foi afastado do Exército conforme os ditames do Tratado de Versalhes e quatro anos mais tarde filiou-se ao Partido Nazista. Ingressou nas Tropas de Assalto do partido, as SA, em nov./1931 e, em out./1935 Lancelle foi reativado no Exército no posto de Major. Foi promovido à Coronel em jan./1939 e na mobilização do Exército, em agosto do mesmo ano, foi indicado comandante militar de Frankfurt. Após a queda da Polônia foi designado comandante do 168º Regimento de Artilharia onde permaneceu por um ano. Na sequência passou a ocupar o comando de Artilharia 138 (Arko 138) e em fev./1941 foi promovido à Major-general. Em maio assumiu a liderança da 121ª Divisão de Infantaria no deflagrar da Operação Barbarossa, a invasão da Rússia. Lancelle foi morto por atirador de elite soviético no mês seguinte e passou à história como o primeiro general alemão a morrer em combate no front leste além de ser também o primeiro oficial de alta patente a ser atingido mortalmente por sniper. Após sua morte foi promovido à Tenente-general e agraciado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro.
Promoções:
01/04/05 Cadete-do-mar
11/12/05 Cadete (Exército)
18/04/06 Aspirante
27/01/07 2º Tenente
08/07/14 1º Tenente
03/04/15 Capitão
31/03/20 Major
03/11/31 Coronel-SA
01/02/32 Coronel-senior-SA
20/04/36 Tenente-coronel
01/01/39 Coronel
01/02/41 Major-general
21/07/41 Tenente-general (póstuma)
Principais condecorações:
??/??/14 Cruz de Ferro 1914 2ª Classe
??/??/15 Cruz de Ferro 1914 1ª Classe
09/10/18 Pour le Mérite
27/09/39 Cruz de Ferro 1939 2ª Classe (broche)
07/10/39 Cruz de Ferro 1939 1ª Classe (broche)
27/07/41 Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro (póstuma)
Principais comandos:
01/04/38 - 09/11/38 Cmte. 43º Regimento de Artilharia
10/11/38 - 30/06/39 Cmte. 115º Regimento de Artilharia
26/08/39 - 24/10/39 Cmte. Militar/Fortaleza de Frankfurt
25/10/39 - 25/11/40 Cmte. 168º Regimento de Artilharia
25/11/40 - 05/05/41 Cmte. de Artilharia 138 (Arko 138)
06/05/41 - 03/07/41 Cmte. 121ª Divisão de Infantaria
Um general alemão cai prisioneiro dos brasileiros
Otto Fretter-Pico nasceu em fev./1893 na cidade de Karlshure, estado de Baden-Württemberg. Poucos dias antes de iniciar a 1ª Grande Guerra voluntariou-se para o Exército onde participou daquele conflito mundial e destacou-se a ponto de ser condecorado com as duas classes da Cruz de Ferro 1914. No cessar-fogo o então 1º Tenente Fretter-Pico permaneceu engajado nas fileiras do Exército muito embora as restrições do Tratado de Versalhes tivessem imposto uma redução drástica no contingente total da tropa. Em out./1937 foi promovido à Tenente-coronel e um ano mais tarde assumiu o comando do 7º Batalhão de Reconhecimento onde participou dos estágios iniciais da 2ª Guerra Mundial. Na sequência foi colocado na liderança do 297º Regimento de Artilharia onde permaneceu por mais de dois anos e atuou na invasão do oeste (França e Países Baixos) e, mais tarde, na ofensiva contra a Rússia. Em mar./1942 o Coronel Fretter-Pico foi indicado comandante de Artilharia 102 (Arko 102) ainda em território soviético. Em fev./1943, pouco antes de sua promoção à Major-general, aceitou o comando da 57ª Divisão de Infantaria ainda no front leste. Em setembro do mesmo ano Freter-Pico foi transferido para o teatro da Itália que acabara de capitular diante dos aliados sendo ali colocado na liderança da 148º Divisão de Infantaria. Em dez./1944 o então Tenente-general Fretter-Pico foi finalmente condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro pelo seu brilhante desempenho diante dos seus comandados na defesa do território. No final de abril de 1945 as tropas germânicas em terras italianas renderam-se aos aliados e o valoroso general foi feito prisioneiro das tropas brasileiras da Força Expedicionária (FEB) que compunha o 5º Exército norte-americano do general Mark Clark. Fretter-Pico passou mais de três anos em cativeiro e faleceu de causas naturais na Suíça em jul./1966, aos 73 anos.
Promoções:
14/07/14 Cadete
29/11/14 Aspirante
27/01/15 2º Tenente
18/10/18 1º Tenente
01/02/28 Capitão-de-cavalaria
01/01/35 Major
01/10/37 Tenente-coronel
01/09/40 Coronel
01/03/43 Major-general
20/10/44 Tenente-general
Principais condecorações:
? Cruz de Ferro 1914 2ª Classe
? Cruz de Ferro 1914 1ª Classe
? Cruz de Ferro 1939 2ª Classe (broche)
? Cruz de Ferro 1939 1ª Classe (broche)
11/12/41 Cruz Germânica em ouro
12/12/44 Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro
Principais comandos:
10/11/38 - 05/02/40 Cmte. 7º Batalhão de Reconhecimento
06/02/40 - 06/03/42 Cmte. 297º Regimento de Artilharia
07/03/42 - 18/12/42 Cmte. de Artilharia 102 (Arko 102)
20/02/43 - 01/09/43 Cmte. 57ª Divisão de Infantaria
25/09/43 - 20/03/44 Cmte. 148ª Divisão de Reserva
18/09/44 - 28/04/45 Cmte. 148ª Divisão de Infantaria
Theodor Tolsdorff nasceu no estado da Prússia Oriental em nov./1909. Aos 25 anos incompletos ingressou no Exército como Soldado. Em mar./1939, já como 1º Tenente, assumiu o comando da 14ª Cia. do 22º Regimento de Infantaria onde experimentou o batismo de fogo na campanha contra a Polônia, em setembro daquele ano e posteriormente na Rússia. Pelo seu excelente desempenho à frente de seus comandados foi condecorado com as duas classes da Cruz de Ferro 1939 e dois anos depois com a cobiçada Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro. Tolsdorff foi promovido à Capitão em jan./1942 e colocado no comando do 1º batalhão do mesmo regimento de infantaria que vinha servindo, ainda no front leste. Um ano mais tarde foi promovido por merecimento à Major e em set./1943 recebeu das mãos de Hitler a incomum Folhas de Carvalho de sua Cruz de Cavaleiro. Dois meses após foi designado comandante daquele regimento, já rebatizado Grenadier. Em mar./1944 Tolsdorff foi transferido para a região dos países bálticos onde assumiu a liderança do 1.067º Regimento Grenadier. Nesta unidade ele foi promovido novamente por merecimento a Coronel e condecorado com as Espadas de sua Cruz de Cavaleiro por seu brilhantismo em combate. Em set./1944 o excelente militar foi chamado para comandar a 340ª Divisão Volksgrenadier, ainda como Coronel. Neste comando ele atuou com destacado conceito na batalha das Ardenas e na defesa do rio Reno e, por conta disso, foi promovido à Tenente-general, com apenas 35 anos de idade, e condecorado com a raríssima Cruz de Cavaleiro com Folhas de Carvalho, Espadas e Diamantes, sendo apenas o 25º soldado das Wehrmacht a receber tal honraria. Nos dois últimos meses do conflito mundial Tolsdorff ainda seria colocado à frente do 82º Corpo de Exército na defesa do território do Reich, entretanto a situação das forças alemãs era desalentadora. Tolsdorff, apelidado "Leão de Wilna" é considerado o militar de infantaria alemão mais condecorado na 2ª Guerra. No final das hostilidades caiu prisioneiro dos aliados e passou dois anos em cativeiro norte-americano. Em mai./1978 Tolsdorff faleceu de causas naturais aos 68 anos.
Promoções:
01/10/34 Soldado
01/10/35 Sargento Jr.
01/06/36 1º Sargento
01/06/36 2º Tenente
01/10/38 1º Tenente
01/01/42 Capitão
01/01/43 Major
01/04/44 Tenente-coronel
01/08/44 Coronel
30/01/45 Major-general
16/03/45 Tenente-general
Principais condecorações:
22/09/39 Cruz de Ferro 1939 2ª Classe
23/10/39 Cruz de Ferro 1939 1ª Classe
04/12/41 Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro
23/08/42 Cruz Germânica em ouro
15/09/43 Cruz de Cavaleiro com Folhas de Carvalho (302º)
18/07/44 Cruz de Cavaleiro com Folhas de Carvalho e Espadas (80º)
18/03/45 Cruz de Cavaleiro com Folhas de Carvalho, Espadas e Diamantes (25º)
Principais comandos:
01/03/39 - 31/12/41 Cmte. 14ª Cia. do 22º Regimento de Infantaria, depois Füsilier
01/01/42 - 31/10/43 Cmte. I Batalhão do 22º Regimento Grenadier
A superioridade tecnológica alemã no campo dos equipamentos bélicos, antes do início da 2ª Guerra Mundial, proporcionou ao 3º Reich a criação de inúmeras aeronaves e armas inovadoras conhecidas internamente pela propaganda nazista como "Armas Maravilhosas". Ao eclodir a guerra, em set./1939, Hitler decidiu pela produção em massa de armas convencionais, destinando poucos recursos para a continuidade das pesquisas em tecnologias mais avançadas, entretanto com o desenrolar dos acontecimentos ao longo do tempo e, principalmente, pelos superbombardeamentos aliados nas cidades e fábricas da Alemanha, o ditador mudou de idéia e passou a acreditar que o investimento em aeronaves, foguetes e mísseis produzidos com alta tecnologia poderia mudar o curso da guerra. Impressionantes resultados foram obtidos, contudo entraram em operação tarde demais, em pequeno número e não impediram a derrota. Muito embora se possa listar mais de uma centena destas "armas maravilhosas", ficaremos aqui apenas com as mais conhecidas.
Aeronaves
Messerschmitt 262 - o 1º caça à jato a entrar em combate no mundo. Excelente interceptador de bombardeiros. Sua velocidade atingia 870 Km/h, mais rápido que o melhor caça aliado em velocidade, o P-51 Mustang, que voava à 700 km/h e escoltava a grandes formações de bombardeiros anglo-americanos. Em torno de 1.400 destes aviões foram produzidos, embora apenas 100 tenham entrado em combate, entre março e mai./1945, simplesmente por falta de combustível. Mesmo assim alguns pilotos ganharam grande notoriedade pelo número de abates alcançado.
Arado 234 - o 1º bombardeiro à jato do mundo. Desenvolvido com alta tecnologia automática. Dispunha de assento ejetável, paraquedas de frenagem e piloto automático. Pouquíssimas unidades entraram em operação e não influenciaram em nada o desenrolar das batalhas aéreas.
Messerschmitt 163 - o 1º caça movido à foguete. Incrivelmente rápido (960 Km/h), ágil e pequeno. Embora sua autonomia de vôo fosse de apenas 8 minutos, alcançava rapidamente as formações de bombardeiros a grandes altitudes e conseguia abatê-los de forma fácil devido a seus canhões de poderoso calibre. Era necessário que o piloto fosse altamente experimentado para realizar uma missão de sucesso. Ao terminar o combustível retornava ao aeródromo em vôo planado, momento no qual expunha sua fragilidade. Aterrizava de barriga pois suas rodas ao decolar eram descartadas. Ao todo apenas 364 aviões deste tipo foram construídos e não obtiveram resultado algum que modificasse o panorama da guerra aérea. Com o armistício alguns aparelhos foram levados secretamente para os Estados Unidos e seu projeto copiado em uma aeronave (X-1) que ultrapassaria a barreira do som, em out./1947.
Heinkel 162 - Caça-jato apelidado de "caça popular" devido às características de seu projeto que exigiam baixo custo e facilidade de produção em massa por operários com pouca qualificação. O vôo inaugural de teste foi em dez./1944 apenas 90 dias após as propostas terem sido lançadas em concorrência na indústria aeronáutica. No mês seguinte formou-se um comando de testes com estas aeronaves, entretanto ela juntou-se a unidade de caças à jato JV-44, compostas por Me-262 e comandada pelo General Galland. Devido a não estar totalmente pronto para entrar em ação, com poucos pilotos capazes de operá-lo assim como a crônica falta de combustível, o He-162 teve poucas oportunidades de entrar em efetiva operação. Somente em abr./1945 tem-se relatos de algum combate aéreo com este novo caça. A despeito de sua grande velocidade (840 Km/h) tinha apenas 30 minutos de autonomia e isso impedia que os pilotos cometessem qualquer erro de navegação devido ao risco de se verem com pouco combustível.
Dornier 335 - Caça de duplo motor à pistão com aparência bizarra, devido ao seu design nada convencional. Criado para ser uma aeronave multiuso: caça-bombardeiro, caça noturno e avião de reconhecimento. O inovador sistema de tração da aeronave era composto por dois propulsores em linha: o primeiro na ponta do nariz e o segundo na cauda, um puxando e o outro empurrando o aparelho. A engenharia inovadora trazia prós e contras e começou a ser testado em 1940, embora o Departamento Técnico da Luftwaffe tenha interrompido os trabalhos por dois anos. Em out./1943 o 1º protótipo estava pronto para voar e no ano seguinte o desenvolvimento e testes continuaram até começar a produção de várias versões aprovadas. Quando a guerra terminou apenas noventa Do-335 haviam saído das fábricas, todavia nenhum deles conheceu o batismo de fogo, já que a aceleração de seu desenvolvimento devido às grandes necessidades do 3º Reich no final da guerra, expôs suas limitações prematuramente a despeito do grandioso projeto.
Heinkel 277 - Bombardeiro pesado quadrimotor de longo alcance (6.000 Km). Testado pela primeira vez em dez./1943, contudo o desenvolvimento do enorme avião sofreu uma abrupta interrupção em jul./1944 devido a mudança exigida pelo alto comando da Luftwaffe de concentrar toda a produção em caças. Mesmo assim oito destas aeronaves foram concluídas, mas provavelmente todas foram destruídas em bombardeios aéreos durante o último ano da guerra. Os projetistas acreditavam que pela sua enorme autonomia de vôo, o aparelho poderia bombardear alvos localizados nos Estados Unidos.
Messerschmit 264 - Outro bombardeiro pesado de longo alcance desenvolvido dentro do programa conhecido como "Amerika Bomber". Três protótipos desta aeronave foram construídos em 1942 e no final do ano o teste de vôo foi realizado. A grande concorrência da indústria aeronáutica alemã fez com que o projeto fosse abandonado em jun./1944 em favor de outros modelos que foram julgados mais eficientes pelo Departamento Técnico da Luftwaffe. No mês seguinte os protótipos foram destruídos por bombardeio aéreo aliado. Devido a sua grande autonomia (15.000 Km) o Me-264, se colocado em operação, chegaria além dos Urais na Rússia, no sul do Irã, norte da África e no centro do continente norte-americano.
Junkers 390 - Bombardeiro pesado de longo alcance constituído por seis motores. Desenvolvido inicialmente como avião de reconhecimento marítimo com grande raio de ação. Dois protótipos desta aeronave foram construídos, contudo os testes foram tão medíocres que o projeto foi abandonado. Sua autonomia de vôo (12.000 Km) permitia que chegasse à costa leste dos Estados Unidos. Provavelmente os dois protótipos foram destruídos pelas tropas retirantes a fim de não cair em mãos do inimigo.
Junkers 287 - Bombardeiro à turbojato pesado de alta velocidade (800 Km/h). Projetado com asas enflechadas para frente seria capaz de fugir de qualquer caça inimigo. Em ago./1944 o primeiro protótipo voou causando admiração pelo sucesso alcançado. Não chegou a ser colocado em linha de produção devido a tomada da fábrica Junkers pelos soviéticos no final da guerra. O projeto continuou a ser desenvolvido na Rússia, entretanto não despertou interesse.
Messerschmitt 321 - Planador de transporte pesado. Podia abrigar em seu
interior uma carga seis vezes maior que o principal avião de transporte da
época, o Ju-52. Suportava até 23 toneladas equivalente a um vagão regular de
ferrovia ou um tanque blindado médio. No transporte de tropas poderia levar até
130 homens equipados. O primeiro protótipo voou em fev./1941. Apesar dos
problemas revelados na decolagem o projeto foi adiante e, em maio daquele ano o
planador entrou em operação regular. Os problemas continuaram surgindo principalmente
na adequação de um avião-rebocador assim como no deslocamento do aparelho após
a aterrizagem. No começo de 1943 o planador foi desativado e, dos 150
produzidos, alguns foram convertidos em transportadores motorizados (Me-323).
Junkers 322 - Planador de transporte pesado. Carregava
facilmente 140 passageiros além dos 3 tripulantes. Apenas dois foram
construídos e mostraram-se ineficientes para a operação.
Heinkel 111Z - Avião-rebocador de planadores. Curiosa engenharia que ligava pelas asas dois bombardeiros He-111 com o acréscimo de mais um motor, totalizando uma envergadura de 32,5 metros. Foi utilizado basicamente para transportar o planador Me-321 Gigant.
Heinkel 280 - Caça à jato revolucionário. O primeiro protótipo em teste voou em abr./1941 alcançando uma velocidade superior a 800 Km/h. Outros protótipos foram construídos com pequenas alterações de projeto e todos se saíram bem, entretanto como as Wehrmacht estavam no auge do seu sucesso militar em todas as frentes, o alto comando achou desnecessário levar adiante a sua entrada em operação.
Messerschmitt P. 1101 - Caça à jato de asas enflechadas que pretendia alcançar 1.000 Km/h. Projeto desenvolvido em meados de 1944. Apenas um protótipo foi construído e submetido a testes de vôo em jun./1945 depois que os norte-americanos tomaram a secreta fábrica em abril e deram prosseguimento à montagem nos Estados Unidos. O projeto foi adaptado para a criação do Bell X-5 que antecedeu ao primeiro caça-jato operacional da USAAF, o F-86 Sabre que rivalizou com o Mig-15 soviético na guerra da Coréia em 1951.
Messerschmitt 263 - Caça-foguete monoposto de curta distância. Derivação do Me-163 Komet. O projeto foi transferido para a fábrica Junkers, tendo trocado de denominação provisoriamente para JU-248. Seu teste de vôo foi realizado em ago./1944, todavia com o final da guerra se aproximando o protótipo foi capturado pelos soviéticos.
Kurt von Briesen nasceu em mai./1896 na pequena cidade de Anklam, Pomerânia. Pouco depois de completar dezoito anos ingressou no Exército sendo comissionado oficial (2º Tenente) em jan./1906. Briesen participou da 1ª Grande Guerra como Capitão e foi agraciado por bravura em combate com as duas classes da Cruz de Ferro versão 1914. Após o cessar-fogo foi desligado do Exército, em mar./1920, como Major, conforme as restrições impostas pelo Tratado de Versalhes que reduziu drasticamente o efetivo das Forças Armadas da Alemanha. Von Briesen trabalhou para o Exército durante mais de dez anos, entretanto somente foi reativado em abr./1934, já no regime do nacional-socialismo. Em fev./1938, como Major-general, foi designado comandante da 30ª Divisão de Infantaria onde participou da invasão da Polônia que acendeu o estopim da 2ª Guerra Mundial. Neste cenário von Briesen foi gravemente ferido no braço direito, todavia não abandonou seu posto e teve papel decisivo no desfecho da batalha e, consequentemente, na rendição do Exército polonês. Hitler ao tomar conhecimento do fato ordenou imediatamente sua condecoração com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro, sendo um dos primeiros militares a receber a nova medalha.
Na ofensiva contra os países baixos e França, von Briesen, ainda à frente da mesma unidade, teve participação efetiva e coube a ele, após a queda do Exército francês, comandar a parada da vitória em Paris em 22/06/40. Do alto de seu cavalo ele saudou as tropas de sua divisão que desfilavam pelos Champs Elysées após passar sob o Arco do Triunfo, em imagens que rodaram o mundo e ainda são famosas até hoje em dia, pois a conquista marcou a História.
Em ago./1940 von Briesen foi promovido à General-de-infantaria e três meses depois foi indicado para comandar o LII Corpo de Exército, unidade na qual lutou na Grécia e na invasão da Rússia. Em novembro do ano seguinte von Briesen foi atingido mortalmente em ataque aéreo quando se deslocava de carro em território soviético.
Promoções:
16/09/04 Cadete
22/04/05 Aspirante
27/01/06 2º Tenente
19/07/13 1º Tenente
27/01/15 Capitão
21/03/20 Major
01/04/34 Tenente-coronel
01/05/34 Coronel
01/08/37 Major-general
27/08/39 Tenente-general
01/08/40 General-de-infantaria
Principais condecorações:
??/09/14 Cruz de Ferro 1914 2ª Classe
??/12/14 Cruz de Ferro 1914 1ª Classe
20/09/39 Cruz de Ferro 1939 2ª Classe (broche)
04/10/39 Cruz de Ferro 1939 1ª Classe (broche)
27/10/39 Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro
Principais comandos:
15/10/35 - 04/02/38 Cmte. 69º Regimento de Infantaria
13/02/38 - 25/11/40 Cmte. 30ª Divisão de Infantaria
Ludwig Wolff nasceu em abr./1893 em Chemnitz, na Saxônia. Aos dezenove anos ingressou no Exército Prussiano sendo comissionado oficial (2º Tenente) em nov./1913. Durante o curso da 1ª Grande Guerra (ago./1914-nov./1918) foi promovido à 1º Tenente e condecorado por bravura em combate com as duas classes da Cruz de Ferro. Com o cessar-fogo permaneceu alistado nas fileiras do Exército mesmo diante das restrições impostas pelo Tratado de Versalhes. Em fev./1939 alcançou a patente de Coronel e assumiu o comando da 192º Regimento de Infantaria e em pouco tempo estava engajado na ofensiva contra a Polônia que deflagrou a 2ª Guerra Mundial. Em meados do ano seguinte continuou à frente da mesma unidade no ataque aos países baixos e França onde, em 26/05/1940, foi gravemente ferido no rosto e afastado para recuperação em hospital militar. Wolff permaneceu mais de um ano em tratamento pois teve seu rosto parcialmente desfigurado pela explosão que o tirou de combate na França. Em função deste fato foi condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro e com a Insígnia de Ferimento em Ouro. Em jul./1941 retornou ao serviço embora fosse destacado para atuar como instrutor militar na Escola de Guerra de Breslau. Após sua promoção à Major-general, em set./1941, foi designado comandante da 22ª Divisão de Infantaria que estava lutando contra os soviéticos na Crimeia. Em reconhecimento pelo seu grande espírito de liderança foi agraciado com a Cruz Germânica em ouro e com a cobiçada Folhas de Carvalho para a sua Cruz de Cavaleiro.
Em ago./1942 deixou o comando daquela unidade e despediu-se do front leste da guerra. Wolff passou um ano como instrutor militar de ensino e educação do Exército, uma posição confortável para quem já havia lutado bravamente e se ferido ao ponto de deixá-lo com uma triste aparência para o resto da vida. Em dez./1943 foi indicado para o comando do XXXIII Corpo de Exército, posição que acumulou com a função de comandante militar da Noruega central. No mês seguinte foi promovido à General-de-infantaria e, em set./1944, novamente foi ferido, passando três meses em recuperação. Em jan./1945, com a crítica situação das Wehrmacht em todos os fronts, Wolff foi transferido para a Hungria onde passou a atuar como inspetor militar das tropas daquele país aliado que tentavam desesperadamente conter o grandioso avanço do Exército Vermelho no leste europeu. Terminada a guerra, o mutilado general caiu prisioneiro dos aliados onde passou dois anos em cativeiro norte-americano. Em nov./1968 Wolff faleceu de causas naturais aos 75 anos de idade.
Promoções:
12/11/13 2º Tenente
26/03/17 1º Tenente
01/05/24 Capitão
01/01/34 Major
01/08/36 Tenente-coronel
01/02/39 Coronel
01/09/41 Major-general
01/12/42 Tenente-general
01/01/44 General-de-infantaria
Principais condecorações:
??/11/14 Cruz de Ferro 1914 2ª Classe
28/06/17 Cruz de Ferro 1914 1ª Classe
13/05/40 Cruz de Ferro 1939 2ª Classe (broche)
18/05/40 Cruz de Ferro 1939 1ª Classe (broche)
26/05/40 Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro
??/??/40 Insígnia de Ferimento em Ouro
08/02/42 Cruz Germânica em ouro
08/05/42 Ordem Michael "O Bravo" 3ª Classe (Romênia)
22/06/42 Cruz de Cavaleiro com Folhas de Carvalho (100º)
Principais posições/comandos:
12/10/37 - 31/01/39 Cmte. I Batalhão do 10º Regimento de Infantaria
01/02/39 - 26/05/40¹ Cmte. 192º Regimento de Infantaria
10/10/41 - 01/08/42 Cmte. 22ª Divisão de Infantaria Luftlande²
09/09/42 - 30/11/43 Inspetor de Treinamento e Educação no OKH³
25/12/43 - 10/08/44 Cmte. XXXIII Corpo de Exército / Cmte. Militar da Noruega Central
19/04/45 - 08/05/45 Cmdo. Regional do Oeste
Obs.: ¹ Ferido gravemente no rosto. ² Aeroterrestre. ³ Alto Comando do Exército.
Fritz Witt nasceu em mai./1908 numa pequena cidade do estado alemão da Westfalia. Aos 23 anos filiou-se ao NSDAP e foi aceito nas SS. Dois anos depois foi comissionado 2º Tenente-SS e no ano seguinte, após a promoção para 1º Tenente-SS, assumiu o comando da 3ª Cia. do Standarte-SSDeutschland. Nesta unidade Witt permaneceu por cinco anos e participou da anexação da Áustria e dos Sudetos Checos ao Reich alemão. Em set./1939 teve seu batismo de fogo na invasão da Polônia e, por seu elevado espírito de liderança, foi condecorado com as duas classes da Cruz de Ferro 1939. Na sequência foi indicado comandante do I Batalhão do mesmo regimento que já vinha integrando, onde participou da ofensiva do oeste contra os países baixos e França. Por seu destacado desempenho à frente de seus homens foi agraciado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro. Após a queda da França Witt foi transferido, já como Major-SS, para o Leibstandarte-SS Adolf Hitler, unidade de elite das SS, onde comandou por curto período o III Batalhão do Regimento de Infantaria Motorizado. Em mar./1941 foi deslocado para a liderança do I Batalhão da mesma unidade, onde participou da campanha dos Bálcãs e do primeiro ano da invasão da Rússia. Em ago./1942, já como Tenente-coronel-SS, assumiu o comando do 1º Regimento Panzergrenadier-SS LSSAH tendo participação efetiva nas batalhas de Stalingrado e de Kharkov. Apesar das enormes dificuldades encontradas diante de um inimigo mais numeroso, Witt foi condecorado com as raras Folhas de Carvalho para sua Cruz de Cavaleiro após ter sido promovido à Coronel-SS. Em jun./1943 foi nomeado para o comando da recém criada 12ª Divisão Panzergrenadier-SS Hitlerjugend com apenas 35 anos de idade. Nesta nova unidade foi transferido para o front oeste, onde, em jun./1944, já como Major-general das Waffen-SS, participou das ações iniciais contra o desembarque aliado na Normandia. Em 14/06 foi mortalmente atingido em bombardeio naval em Caen.
Hitler assumiu a Chancelaria da Alemanha em jan./1933 e logo, com o auxílio de seus sectários, tramou uma forma de expulsar os comunistas do país naquilo que ficou na História conhecido como o "Incêndio do Reichstag" (vide detalhes aqui). Em meados do ano seguinte foi a vez da eliminação da cúpula das SA, tropa de choque do NSDAP, os "camisas pardas", que vinham rivalizando com o poder do Exército regular. "A Noite das Longas Facas" não apenas degolou as SA como também foi subterfúgio para o assassinato de muitos inimigos do regime. O acordo secreto que o Führer havia feito com o Ministro da Defesa, General Werner von Blomberg (vide bio aqui), deixou as Forças Armadas (Wehrmacht), a partir daquela ocasião, totalmente submissas as intenções do ditador. Em ago./1934 o alquebrado Marechal Hindenburg (vide bio aqui), presidente da Alemanha, faleceu e deixou o caminho livre para Hitler abolir aquele cargo e tornar-se o único mandatário do país.
Contudo ainda faltava uma coisa, algo que mantivesse o militar e o povo presos definitivamente às vontades de Adolf Hitler. Não ao chanceler, ou à pátria, nem à bandeira ou ao povo, tão somente à figura salvadora daquele homem que estava predestinado a conduzir a população do país à glória e à prosperidade - um juramento de irrestrita lealdade com hipoteca da própria vida. Desta forma, logo após o funeral de Hindenburg, foram instituídos oficialmente os juramentos das Wehrmacht e Waffen-SS. Eis suas palavras:
Wehrmacht
"Eu juro por Deus neste sagrado juramento que renderei incondicional obediência a Adolf Hitler, líder do Reich Alemão, supremo comandante das Forças Armadas, e que devo estar sempre preparado como um bravo soldado, a dar minha vida por este juramento"
Waffen-SS
"Eu juro a você, Adolf Hitler, líder e chanceler da nação alemã, lealdade e bravura. Eu voto a você e meus superiores designados por você, obediência até a morte. Assim Deus me ajude"
Otto Gille nasceu em mar./1897. Ingressou no Exército aos 17 anos, como aspirante, tão logo teve início a 1ª Grande Guerra. Durante o curso das batalhas foi promovido a 2º Tenente e condecorado por bravura com as duas classes da Cruz de Ferro 1914. Após o cessar-fogo foi desligado do Exército segundo as restrições impostas pelo Tratado de Versalhes e promovido à 1º Tenente. Em 1931 filiou-se ao NSDAP e ingressou nas SS. Gille experimentou um crescimento rápido nesta tropa tendo alcançado a patente de Major-SS em abr./1937. Pouco antes do começo da 2ª Guerra Mundial, Gille assumiu o comando do I Batalhão do 5º Regimento de Artilharia-SS onde atuou na campanha da Polônia e na ofensiva contra os países baixos e França. Por seus feitos foi agraciado com as duas classes da Cruz de Ferro versão 1939 e promovido à Tenente-coronel-SS. Em nov./1940 foi indicado comandante do 5º Regimento de Artilharia-SS ao qual seu antigo batalhão estava subordinado. À frente desta unidade participou do ataque à Rússia, em jun./1941, e foi promovido duas vezes. Em jun./1942 serviu por curto espaço de tempo no comando geral das SS em Berlim e, na sequência, foi designado comandante do Regimento-SS Westland, retornando ao front leste de batalha. Por seu brilhante espírito de liderança à frente de seus subordinados e pelo excelente resultado obtido foi condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro e promovido à Major-general das Waffen-SS. Em mai./1943 Gille assumiu o comando da Divisão Panzergrenadier-SS Wiking ainda em território soviético. Nesta unidade foi promovido à Tenente-general das Waffen-SS e recebeu, em reconhecimento pelos seus brilhantes feitos diante do inimigo, a raríssima Cruz de Cavaleiro com Folhas de Carvalho, Espadas e Diamantes, sendo apenas o 12º militar das Wehrmacht a conquistar esta honraria. Em ago./1944 foi deslocado para a liderança do 4º Corpo Panzer-SS que lutava nos países do leste da Europa contra o maciço ataque soviético, entretanto, assim como todas as forças germânicas, fracassou diante das dificuldades encontradas. Gille caiu prisioneiro dos norte-americanos ao final da guerra e permaneceu em cativeiro por três anos. Em dez./1966 faleceu de ataque cardíaco, aos 69 anos.
Promoções:
01/09/14 Aspirante (Exército)
27/01/15 2º Tenente
31/03/19 1º Tenente
25/09/32 2º Sargento-SS (Allgemeines)
27/01/33 1º Sargento-SS
20/04/33 2º Tenente-SS
20/04/35 1º Tenente-SS
09/11/35 Capitão-SS
20/04/37 Major-SS
19/10/39 Tenente-coronel-SS
30/01/41 Coronel-SS
01/10/41 Coronel-senior-SS
09/11/42 Major-general das Waffen-SS
09/11/43 Tenente-general das Waffen-SS
09/11/44 General das Waffen-SS
Principais condecorações:
? Cruz de Ferro 1914 2ª Classe
? Cruz de Ferro 1914 1ª Classe
26/10/39 Cruz de Ferro 1939 2ª Classe (broche)
21/11/39 Cruz de Ferro 1939 1ª Classe (broche)
28/02/42 Cruz Germânica em ouro
08/10/42 Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro
06/03/43 Cruz da Liberdade 1ª Classe com Espadas (Finlândia)
01/11/43 Cruz de Cavaleiro com Folhas de Carvalho (315º)
20/02/44 Cruz de Cavaleiro com Folhas de Carvalho e Espadas (47º)
19/04/44 Cruz de Cavaleiro com Folhas de Carvalho, Espadas e Diamantes (12º)
Principais posições/comandos:
15/02/37 - 30/04/39 Cmte. 2ª Cia. do Regimento-SS Germania
01/05/39 - 14/11/40 Cmte. I Batalhão do 5º Regimento de Artilharia-SS
15/11/40 - 01/02/42 Cmte. 5º Regimento de Artilharia-SS
20/06/42 - 30/07/42 Cmdo. Geral das SS (Artilharia)
Biografias curtas, condecorações, insígnias, ordens de batalha, curiosidades e outros assuntos correlatos da Alemanha exclusivamente nos períodos pré e durante a segunda guerra mundial.