quarta-feira, 25 de julho de 2012

BACH-ZELEWSKI, Erich Julius Eberhard von dem (*01/03/1899†08/03/1972)

Erich von Bach-Zelewski nasceu em Lauenburg, Pomerânia, em mar./1899. Antes mesmo de completar 16 anos ingressou no Exército tendo participado da 1ª Grande Guerra como 2º Tenente onde recebeu, por bravura, as duas classes da Cruz de Ferro 1914. Em fev./1924 afastou-se das fileiras do Exército e, em fev./1930 filiou-se ao NSDAP, sendo eleito deputado no Parlamento Alemão (Reichstag) em 1932. Em fev./1931 foi admitido nas Allgemeines-SS onde viria a trilhar uma carreira de sucesso, pois em dez./1933 chegou ao posto de Major-general-SS, já no regime nazista. Em fevereiro do ano seguinte foi designado líder das SS e da Gestapo na Prússia Oriental. Em jun./1934 participou efetivamente da "Noite das Longas Facas", o expurgo da liderança das SA.
No começo da invasão da Rússia, em jun./1941, foi indicado líder das SS e da Polícia junto ao Grupo de Exércitos Centro com a atribuição de "limpar" as terras conquistadas dos judeus e resistentes. Neste período ele foi responsabilizado por inúmeras atrocidades cometidas contra "subumanos" em Riga (Estônia), em Minsk e Mogilev (Rússia). Antes de terminar o ano foi promovido, por merecimento, ao posto de General-SS e da Polícia.
Após um período de hospitalização foi elevado ao posto de líder das SS para enfrentar os grupos de insurgentes em todos os territórios do leste conquistados pelos nazistas. Em jun./1943 assumiu o comando geral de todas as ações anti-partisans do Reich. Nesta posição, em ago./1944, sufocou a revolta em Varsóvia e, seguindo as orientações do ditador alemão, destruiu a cidade completamente. Por seu "brilhante" desempenho foi condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro.
Em nov./1944 foi colocado no comando do XIV Corpo de Exército-SS que lutava no front oeste contra as tropas anglo-americanas. Nos últimos meses do conflito foi deslocado para defender a capital do Reich no rio Oder, mas fracassou da mesma forma que outras unidades das Wehrmacht. Ao terminar a guerra Bach-Zelewski foi aprisionado pelos norte-americanos e condenado por duas ocasiões tendo passado mais de 20 anos em cativeiro onde faleceu, em mar./1972, aos 73 anos de idade.
Promoções:
01/03/16 2º Tenente (Exército)
20/07/31 2º Tenente-SS (Allgemeines)
06/12/31 Major-SS
10/09/32 Coronel-SS
06/10/32 Coronel-senior-SS
15/12/33 Major-general-SS
11/07/34 Tenente-general-SS
10/10/41 Tenente-general (Polícia)
09/11/41 General-SS e da Polícia
01/07/44 General das Waffen-SS


✠ Erich von dem Bach-Zelewski (1 March 1899 – 8 March 1972)Principais condecorações:
05/08/15 Cruz de Ferro 1914 2ª Classe
25/09/18 Cruz de Ferro 1914 1ª Classe
30/01/39 Insígnia de Ouro do NSDAP
31/08/41 Cruz de Ferro 1939 2ª Classe (broche)
20/05/42 Cruz de Ferro 1939 1ª Classe (broche)
22/02/43 Cruz Germânica em ouro
30/09/44 Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro




Principais posições/comandos:
15/12/31 - 23/07/32 Cmte. 27º Standarte-SS Ostmark (Frankfurt/Oder)
12/07/32 - 31/01/34 Líder do Subdistrito-SS XII (Frankfurt)
01/02/34 - 14/02/36 Líder do Distrito Regional-SS Nordest  (Königsberg)
12/02/34 - 19/03/34 Líder do Subdistrito-SS VII (Danzig)
28/06/38 - 20/05/41 Alto Líder das SS e da Polícia Südest (HSSPF)
27/06/41 - 21/06/44 Alto Líder das SS e da Polícia na Rússia Central (HSSPF)
23/10/42 - 20/06/43 Plenipotenciário anti-partisans no Leste
01/12/42 - ??/12/42 Cmte. 1ª Brigada de Infantaria-SS Motorizada
21/06/43 - 04/11/44 Líder-SS das Unidades anti-partisans
02/08/44 - 04/11/44 Cmte. Grupo von dem Bach
??/11/44 - 10/02/45 Cmte. XIV Corpo de Exército-SS, depois X Corpo de Exército-SS
05/03/45 - 24/04/45 Cmte. Corpo-SS Oder
 
  

terça-feira, 24 de julho de 2012

Rebelião em Varsóvia


Ajudar por quê ?

A República da Polônia foi recriada após o final da 1ª Grande Guerra composta por parte dos territórios dos antigos impérios da Rússia, da Áustria-Hungria e da Prússia, os grandes derrotados daquele conflito. Ao se deflagar a 2ª Guerra Mundial, em set./1939, a Polônia foi invadida pelos nazistas por sua fronteira ocidental e pelos soviéticos por sua fronteira oriental. As Forças Armadas polonesas foram derrotadas em alguns dias e o país dividido entre seus invasores que, anteriormente, haviam pactuado em segredo a divisão "fraternal". A Alemanha recuperou as terras que havia perdido após a 1ª Grande Guerra além de se apoderar de enormes fatias da Silésia e arredores. O restante tornou-se colônia alemã. As potências ocidentais da época, França e Grã-Bretanha, apesar de reafirmarem seu apoio à Polônia, antes da invasão, nada fizeram, deixando aquele país desaparecer do mapa, configurando-se uma agressão injustificada aos olhos de uma Europa moderna, entretanto totalmente inerte.
A Polônia foi um dos países que mais sofreu durante a 2ª Guerra Mundial. Os alemães implantaram um governo de terror, caçando judeus e "inimigos" do regime, isolando-os em guetos, sob precárias condições de vida e, mais tarde, transportando-os para os campos de extermínio, onde morreriam aos milhares. No lado soviético da ocupação o povo não foi melhor tratado, pois a tirania de Stálin haveria de liquidar os prisioneiros e intelectuais não-alinhados num dos episódios mais bárbaros da História Moderna - o massacre de Katyn - onde 22 mil poloneses foram assassinados à sangue-frio e enterrados em vala comum pelo Serviço Secreto Russo (NKVD).
Todavia o povo polonês não se entregaria tão facilmente a tamanho sofrimento. Desde cedo nasceu a resistência interna, a princípio, com poucos recursos, mas apoiada pelo governo no exílio (Londres), se transformou no Exército Interno (Armja Krajowa-AK), abastecido pelos britânicos que lhe enviavam, clandestinamente, armas, munições e equipamentos de comunicação. Alemães e soviéticos colaboravam entre sí na eliminação destes núcleos de resistência poloneses até jun./1941, quando Hitler deslanchou seu ataque à Rússia, colocando por terra a nefasta aliança. A ameaça russa sobre os poloneses desapareceu, mas a nazista aumentou com o início do extermínio de judeus em Treblinka e Auschwitz.
Em abr./1943 os judeus remanescentes do gueto de Varsóvia, levantaram-se contra seus opressores nazistas, em luta desesperada. O resultado não poderia ser outro - a rebelião foi sufocada e os judeus insurgentes enviados aos campos de concentração. O gueto propriamente dito, uma grande área residencial da capital, foi completamente incendiado. Mais de 56 mil poloneses morreram na rebelião, asfixiados pelas bombas de gás, por suicídio ou no confronto direto com os alemães. O evento entrou para a história como a primeira reação civil à crueldade nazista.
Em dez./1943 o AK, cujo efetivo chegara a 350 mil combatentes, planejava uma rebelião geral na capital, dado que as tropas nazistas estavam em franca retirada do território soviético. Contudo havia um fato que não saia da memória dos poloneses - o massacre de Katyn! Como ajudar os soviéticos se estes haviam friamente assassinado seus companheiros em 1940? Além disso de que adiantaria trocar um ditador alemão por outro russo? Considere nesta afirmação que, certamente, Stálin exigiria, após a expulsão dos alemães, que a Polônia ficasse sob sua zona de influência política. Não interessava em nada ao tirano russo a independência da Polônia e ele deixou isso bem claro quando decidiu apoiar militarmente apenas outro grupo menor de resistência polaco, o Exército do Povo (Armja Ludowa-AL), nos locais onde os comunistas tinham influência.
Em jul./1944 os russos tomaram a cidade de Lublin, na Polônia oriental, marchando ao lado de uma divisão polonesa, leal à Moscou. Logo uma "Comissão Polonesa para a Libertação Nacional" foi instalada a fim de rivalizar com o governo no exílio. Desta forma o poder comunista chegou à Polônia. Os líderes do AK estavam cientes destes acontecimentos e decidiram que era chegada a hora, não havia mais tempo a perder! Era preciso libertar a capital antes da chegada dos soviéticos, conquistando assim o direito à soberania.
Em 1º de agosto de 1944 foi lançada a "Operação Tempestade" cujo objetivo era expulsar em poucos dias as remanescentes tropas nazistas até a chegada do Exército Vermelho, situado a poucos quilômetros de distância. Quando a luta começou, Stálin demonstrou todo o seu lado diabólico, determinando a interrupção do avanço do grande efetivo de seus soldados, esperando que o fracasso da insurreição em Varsóvia lhe desse a oportunidade de ocupar a Polônia de forma inconteste. A batalha na capital foi violenta e durou longos dois meses sem que os russos participassem de nada. A cidade foi quase que totalmente destruída e os rebeldes que sobreviveram, abandonados por todos os seus aliados, renderam-se. A contabilidade das perdas dá a dimensão exata da batalha: o AK perdeu 16 mil soldados, 9 mil foram feitos prisioneiros além de 6 mil feridos. Os alemães registraram 2 mil mortos e 9 mil feridos. Um detalhe assustador: quase 200 mil civis morreram massacrados pelas tropas SS.
Em jan./1945 o Exército Vermelho entrou na capital polonesa encontrando uma cidade fantasma com 95% dos prédios destruídos e milhares de civis soterrados. Mais uma vez a Polônia sangrara por estar situada geograficamente no meio de dois países governados por tiranos malígnos. Ao terminar as hostilidades da 2ª Guerra Mundial, a Polônia havia perdido 6 milhões de habitantes, metade deles judeus.




terça-feira, 17 de julho de 2012

O amor é cego, mas a mentira tem boa visão...


Em Abr./1936 o Ministro da Guerra do Reich e Comandante em Chefe das Wehrmacht, General Werner von Blomberg (vide bio aqui) foi promovido à Marechal-de-Campo, tornando-se o primeiro general do governo nazista a atingir esta patente. Foi o apogeu de uma carreira militar de quase quarenta anos que atravessara a 1ª Grande Guerra com grande bravura ao ponto de lhe concederem a maior medalha militar da época - a Pour le Mérite.
Blomberg, no governo de Adolf Hitler, trabalhava incansavelmente na expansão do tamanho e poder do Exército. Após o expurgo das SA, em jun./1934, cujo crescimento vinha rivalizando com o poder do Exército, Blomberg passou a adotar uma postura de devoção cega ao ditador. Entretanto em nov./1937, quando Hitler declarou, internamente, sua decisão irrevogável de ir à guerra, se necessário fosse, para alcançar seus objetivos territoriais, o recente marechal e o Comandante do Exército, General Fritsch, demostraram aversão àquelas idéias e passaram a ser tratados como "contrários" à política nazista.
Em jan./1938, o viúvo Blomberg, com quase 60 anos de idade, casou-se com uma jovem secretária-estenógrafa de 25 anos que trabalhava no Ministério da Guerra, Luise Margarethe Gruhn (jan./1913-?/1978). Blomberg não hesitou em convidar Hitler e Göring para serem padrinhos do enlace, uma forma de agradar os dois maiores líderes do regime, todavia este último mantinha algumas reservas quanto ao cargo que o noivo havia conquistado no governo.
O ambicioso Göring, juntamente com Himmler e Goebbels, seus aliados nos momentos de afastar os adversários políticos, trataram de descobrir o passado nebuloso da jovem noiva. Logo a Gestapo montou um dossiê detalhado da vida pregressa de Margarethe inclusive com fotos comprometedoras, para não dizer pornográficas, do tempo que fora prostituta.
Se estes documentos eram falsos ou não, jamais saberemos, o fato é que o assunto foi levado ao Führer que, naturalmente, exigiu de Blomberg a anulação do casamento a fim de preservar a integridade da tradição militar e, sobretudo, do regime nazista. O marechal não aceitou as condições impostas e foi sumariamente exonerado dos cargos que ocupava no governo ainda no final de jan./1938.
Alguns dias depois um novo dossiê veio às mãos de Hitler trazendo informações da provável vida homossexual que o General Fritsch (vide bio aqui) mantinha com determinado parceiro. Certamente um outro escândalo forjado com objetivos claros. Fritsch foi afastado de sua posição e Hitler, aproveitando-se da rara oportunidade, promoveu uma grande reorganização nas Wehrmacht, colocando no comando destas um fantoche que iria agir conforme sua vontade, General Keitel (vide bio aqui), e afastando os militares considerados pouco entusiasmados pelo nazismo. Para não deixar Göring sem recompensa pelo seu trabalho traiçoeiro, promoveu-lhe à Marechal-de-campo. O caminho, desta forma, ficara livre de obstáculos dentro do regime.
Blomberg aposentou-se e foi exilado numa ilha italiana, saindo da vida pública. Após o final da 2ª Guerra foi arrolado como testemunha no Tribunal de Nuremberg, entretanto faleceu de câncer antes de seu depoimento, aos 67 anos. Fritsch, por sua vez, respondeu a processo militar e foi inocentado, todavia no início da campanha contra a Polônia, em set./1939, foi morto em combate ou, como preferem alguns historiadores, deixou-se matar pelo inimigo, já que sua honra fora jogada no lixo.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Filhos de notáveis


Nome: Rudolf von Ribbentrop (mai./1921-mai./2019)
Pai: Joachim von Ribbentrop (abr./1893-out./1946), Ministro das Relações Externas do Reich (fev./38-mai./45)
Posto: Capitão-SS (30/01/45)
Posição: Cmte. 1º Batalhão do 12º Regimento Panzergrenadier-SS Hitlerjugend (dez./44-mai./45)
Maior condecoração: Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro (15/07/43)




Nome: Karl-Heinz Keitel (jan./1914-?)
Pai: Marechal-de-campo Wilhelm Keitel (set./1892-out./1946), Chefe do OKW (fev./38-mai./45)
Posto: Major das Waffen-SS (06/08/44)
Posição: Cmte. 92º Regimento de Cavalaria-SS Lützow (mar./45-mai./45)
Maior condecoração: Cruz Germânica em ouro (06/02/45)
Obs.: genro do Marechal-de-campo Werner von Blomberg (set./1878-mar./1946)





Nome: Ernst-Wilhelm Keitel (mar./1915-?)
Pai: Marechal-de-campo Wilhelm Keitel (set./1892-out./1946), Chefe do OKW (fev./38-mai./45)
Posto: Major (Exército) (01/05/43)
Posição: Chefe de Operações no E-M da 563ª Divisão Volksgrenadier (fev./45-?)
Maior condecoração: Cruz de Ferro 1939 1ª Classe

Nome: Hans-George Keitel (jun./1919-jul./1941)
Pai: Marechal-de-campo Wilhelm Keitel (set./1892-out./1946), Chefe do OKW (fev./38-mai./45)
Posto: 2º Tenente (Exército)
Posição: 2ª Bateria do 29º Regimento de Artilharia Motorizado
Obs.: morto em combate


Nome: Heinz-Günther Guderian (ago./1914-set./2004)
Pai: Coronel-general Heinz Guderian (jun./1888-mai./1954), Chefe do E-M Geral do Exército (jul./44-mar./45)
Posto: Tenente-coronel (Exército)
Posição: Chefe de Operações no E-M da 116ª Divisão Panzer (mai./42-mai./45)
Maior condecoração: Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro (05/10/44)







Nome: Kurt Guderian (set./1918-mai./1984)
Pai: Coronel-general Heinz Guderian (jun./1888-mai./1954), Chefe do E-M Geral do Exército (jul./44-mar./45)
Posto: Capitão (Exército)
Posição: 25ª Divisão Panzer








Nome: Klaus Dönitz (mai./1920-mai./1944)
Pai: Grande-almirante Karl Dönitz (set./1891-dez./1980), Cmte. Kriegsmarine (jan./43-mai./45)
Posto: 1º Tenente-médico (Marinha)
Posição: Em treinamento no barco-torpedeiro S-141
Obs.: morto em combate






Nome: Peter Dönitz (mar./1922-mai./1943)
Pai: Grande-almirante Karl Dönitz (set./1891-dez./1980), Cmte. Kriegsmarine (jan./43-mai./45)
Posto: 2º Tenente (Marinha)
Posição: Oficial de observação do submarino U-954
Obs.: morto em combate






Nome: Hans Gerd von Rundstedt (jan./1903-jan./1948)
Pai: Marechal-de-campo Gerd von Rundstedt (dez./1875-fev./1953), Cmte. Regional do Oeste (set./44-mar./45)
Posto: 2º Tenente (Exército)
Posição: E-M do Cmdo. Regional do Oeste
Maior condecoração: Cruz de Mérito de Guerra c/Espadas 2ª Classe
Obs.: capturado pelos norte-americanos juntamente com seu pai em mai./45, ficou até jan./47 em cativeiro




Nome: Gero von Manstein (dez./1922-out./1942)
Pai: Marechal-de-campo Erich von Manstein (nov./1887-jun./1973), Cmte. Grupo de Exércitos Don/Sul (nov./42-mar./44)
Posto: 2º Tenente (Exército)
Posição: 18ª Divisão Panzergrenadier
Maior condecoração: Cruz de Ferro 1939 2ª Classe
Obs.: morto em combate na Rússia

 

Nome: Walther Wever (jan./1923-abr./1945)
Pai: General-de-aviação Walther Wever (nov./1887-jun./1936), Chefe de E-M da Luftwaffe (fev./35-jun./36)
Posto: 1º Tenente (Luftwaffe)
Posição: Cmte. de Esquadrilha (Capitão) do 7./JG 7 Nowotny
Maior condecoração: Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro (28/01/45), por 44 abates
Obs.: morto em combate aéreo





Nome: Ferdinand Maria von Senger und Etterlin (jun./1923-jan./1987)
Pai: General-panzer Fridolin von Senger und Etterlin (set./1891-jan./1963), Cmte. 14º Corpo Panzer (out./1943-mai/1945)
Posto: 1º Tenente (Exército)
Posição: 3ª Cia. do 24º Batalhão de Reconhecimento Panzer / OKH
Maior condecoração: Cruz Germânica em ouro (04/09/44)
Obs.: perdeu o braço direito em combate

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A Juventude Hitlerista



Em 08/03/1922 a direção do NSDAP anunciou a criação da Jugendbund, a Associação Juvenil do Partido Nacional-Socialista. Não se tratava da única agremiação deste tipo na Alemanha, entretanto foi a primeira a estar associada a um partido político. Seu primeiro líder foi um jovem de 19 anos, Adolf Lenk, subordinado ao chefe das SA. Estava dividida em duas seções para rapazes de 14-16 anos e de 16-18 anos, com atividades distintas.
Durante a tentativa do golpe em Munique, em 09/11/1923, a associação juvenil não estava diretamente envolvida, entretanto alguns membros atuaram como mensageiros e durante o confronto com a polícia um deles, Kurt Neubauer, foi atingido e morreu. Depois do fracasso, a associação foi banida da vida pública assim como o NSDAP. Lemk tentou reorganizar o grupo com outro nome, mas o subterfúgio foi descoberto e ele foi preso.
Kurt Gruber, o líder da Jugendbund na Saxônia, foi mais feliz na reorganização dos jovens daquele estado associando-se com outros grupos juvenis que lutavam pela mesma causa e, depois que Hitler deixou a prisão de Landsberg, entregou a tarefa de reorganizar o movimento juvenil do NSDAP a ele, em jul./1926, já sob a nova denominação de Hitlerjugend (HJ), a Juventude Hitlerista, ainda subordinada ao comando geral das SA. O uniforme dos rapazes foi alterado pois o anterior era facilmente confundido com soldados das SA o que trazia sempre confusão para os jovens.
Por volta de 1930 o grupo possuía somente 26 mil membros e isso não agradava o líder do partido que resolveu transferir a sede da HJ para Munique, no ano seguinte, forçando Gruber a deixar a liderança e apontando Baldur von Schirach para o cargo em out./1931. No mesmo ano uma nova seção de rapazes de 10-14 anos foi incorporada assim como uma seção feminina denominada Bund Deutscher Mädel (BDM) composta por duas seções de garotas de 10-14 anos e acima disto. Com estas alterações estruturais, em mai./1932, a HJ passou a contar com mais de 100 mil integrantes e Hitler resolveu desassociar o movimento juvenil da liderança das SA, tornando-o independente. A estrutura organizacional seguia o padrão militar subdividindo os membros em pelotões, companhias, batalhões, regimentos e divisões, muito embora os nomes adotados não fossem exatamente estes. Cada um composto por uma quantidade estabelecida de rapazes liderados por um comandante graduado conforme patentes hierárquicas. O braço feminino da organização, BDM, também estava estruturado de forma semelhante.
Após a indicação de Hitler como Chanceler da Alemanha, em jan./1933, a HJ experimentou um crescimento extraordinário acrescido também pela incorporação de várias organizações juvenis que atuavam paralelamente. No final daquele ano havia mais de 2 milhões de jovens na organização. Em dez./1936 um decreto governamental tornava obrigatório o serviço de todos os jovens na HJ, embora sem estabelecer idades o que foi decidido em mar./1939, quando tornou-se compulsório o serviço para rapazes acima de 17 anos e em set./1941 para jovens de ambos os sexos acima de 10 anos de idade. Ao completar 18 anos a maior parte dos homens ingressava diretamente nas SS com uma sólida base de instrução para se tornar um excelente soldado.
A HJ era, para a grande maioria de seus membros, um local de convívio social, onde fazia-se e encontrava-se amigos movidos pelo mesmo ideal, onde praticava-se esportes ao ar livre, aprendia-se a disciplina, a marchar, cantar e, acima de tudo, amar a pátria e seu Führer de forma incondicional. A consciência política somente se dava quando já estavam amadurecidos e envolvidos pela ideologia que havia sido empregada desde pequenos. A tão propalada rebeldia da juventude não tinha espaço na personalidade destes jovens.
Ao começar a 2ª Guerra Mundial muitos rapazes da HJ foram convocados para fazer o trabalho de homens que haviam se alistado nas Wehrmacht e estavam lutando, contudo o número ainda era insuficiente exigindo a incorporação de mais membros no movimento. Em ago./1940 von Schirach deixou o comando da HJ sendo substituído por Arthur Axmann que havia servido no Exército e participado das campanhas na Polônia e França. Quase 8 milhões de jovens serviam na organização por volta deste período.
Axmann tratou de reformular a organização como uma força auxiliar capaz de assumir, inclusive, funções de combatente. Neste sentido a HJ passou a executar serviços em brigadas de incêndio, serviço postal, comunicações por rádio e defesa antiaérea. Em 1943 o grupo estava claramente identificado como uma força militar de reserva capaz de substituir as enormes perdas humanas ocorridas no front leste. Ainda naquele mesmo ano formou-se a 12ª Divisão Panzer-SS Hitlerjugend composta por membros da HJ com idades entre 16 e 18 anos. No ano seguinte esta divisão foi lançada contra os aliados após o desembarque na Normandia e tornou-se famosa por seu entusiasmo, fanatismo e ferocidade em campo de batalha. Na medida em que os soviéticos avançavam pelo leste e os anglo-americanos pelo oeste a HJ foi fornecendo cada vez mais soldados para as Wehrmacht ainda mais jovens. Em 1945, com a criação da Volksturm, crianças de até 12 anos da HJ foram voluntariamente engrossar suas fileiras na última linha de defesa de Berlim. A matança de jovens não teve precedentes.
Após o fim da guerra von Schirach foi condenado à 20 anos de prisão pelo Tribunal Militar Internacional de Nuremberg e Axmann também foi preso por tentativa de reorganizar o movimento.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Anne Frank (*12/06/1929†31/03/1945)


O Relato de uma Adolescente

Annelisse Marie Frank nasceu em Frankfurt, Alemanha, em jun./1929, segunda filha do casal de origem judaica Otto Heinrich Frank (mai./1889-ago./1980) e Edith Frank Holländer (jan./1900-jan./1945). Sua irmã mais velha, Margot Frank nasceu em fev./1926.
Muito embora os Frank não fossem uma família devota ao judaísmo e as suas tradições, depois da ascensão do nazismo ao poder na Alemanha, em jan./1933, e a consequente perseguição aos judeus, decidiram mudar-se para a Amsterdã, Holanda, assim como muitas outras famílias em situação semelhante. Ali Otto Frank abriu uma empresa comercial que vendia extrato de frutas e matriculou suas filhas em colégios tradicionais. Anne estudou em uma escola que praticava o ensino montessoriano e demonstrou habilidades para a leitura e a escrita, características que os pais sempre incentivaram. As irmãs possuíam personalidades bem diferentes, enquanto Margot era estudiosa, introvertida e educada, Anne era extremamente extrovertida, franca e entusiasmada, sonhando se tornar jornalista.
Em 1938, como os negócios de Otto caminhavam bem, ele abriu uma segunda empresa, atacadista de insumos para a produção de salsichas e contratou alguns empregados também alemães de origem judia. Em 1939, a mãe de Edith, Rosa Holländer, foi morar com a família até sua morte em jan./1942, aos 76 anos.
Em mai./1940 os alemães invadiram os países baixos e o novo governo estabelecido passou a perseguir os judeus, proibindo-lhes a mistura com os demais cidadãos. Anne e sua irmã tiveram de se transferir para escolas judaicas e seu pai começou a sofrer ameaças dos nazistas no sentido de confiscarem suas duas empresas. A fim de evitar o pior, Otto Frank transferiu a propriedade delas para outra pessoa e passou a ter uma retirada financeira muito menor, muito embora fosse suficiente para o sustento de sua família.
Ao completar treze anos, Anne ganhou de presente do seu pai um pequeno livro para anotações que dispunha de um cadeado na parte da frente. Anne resolveu usá-lo como diário, começando a escrever imediatamente sobre o dia-a-dia de sua vida e as mudanças na Holanda após a ocupação alemã. Anne chamava-o carinhosamente de Kitty, sua confidente "amiga". No mês seguinte sua irmã, então com dezesseis anos, recebeu uma carta do governo (Escritório Central de Emigração Judaica) avisando-lhe que ela seria transferida para um dos muitos campos de concentração nazistas. A terrível notícia fez com que seu pai apressasse a decisão, já tomada, de se esconder juntamente com sua família no prédio anexo ao de uma de suas antigas empresas, onde ele havia trabalhado.
Dias depois eles se mudaram para o esconderijo secreto, deixando para trás sua antiga moradia em terrível desordem para que os nazistas entendessem que eles haviam saído de forma apressada para a Suíça, pois Otto havia "plantado" um bilhete nesse sentido junto a papelada que ficara em seu aposento. A nova moradia secreta era um ambiente de três andares com entrada a partir de um dos escritórios situado no alto do prédio da antiga empresa de Otto. O primeiro nível era composto por duas pequenas salas e um banheiro, acima situava-se outra sala pela qual, através de uma sinuosa escada, chegava-se ao sótão. Para garantir que a entrada principal ficasse sempre oculta foi providenciada uma estante coberta de livros à sua frente. Quatro pessoas que trabalhavam no escritório sabiam da presença dos "novos moradores" assim como alguns de seus parentes, mas todos de alguma forma ajudaram os Frank a sobreviver no esconderijo secreto, trazendo-lhes alimentos e notícias do mundo exterior, principalmente do desenrolar da guerra.
Ainda em jul./1942 outros moradores se juntaram aos Frank - a família holandesa van Pels, de três integrantes e, por fim, em novembro, um dentista, Fritz Pfeffer, amigo da família. Anne escrevia em seu diário tudo que ocorria dentro daquele isolamento ao qual sua família estava confinada. A princípio satisfeita por ter novas amizades, logo os desentendimentos humanos foram aflorando com o tempo, o que é bastante compreensível em se tratando de um local exíguo onde vivem oito pessoas 24 h por dia, isoladas dos acontecimentos externos. Em seu texto ela descrevia sobre o egoismo de alguns integrantes do grupo na divisão dos alimentos e seu "romance" com o tímido Peter van Pels, de dezesseis anos, a quem beijou pela primeira vez. O relacionamento com os membros de sua família era um dos principais temas de suas anotações, notadamente a melhoria do diálogo com sua irmã, de temperamento tão diferente, e as frequentes brigas com sua mãe.
Assim os meses foram passando com Anne escrevendo e lendo bastante tudo que lhe traziam de fora, já que não podia frequentar a escola. Com quinze anos, um pouco mais madura, Anne passou a escrever sobre a natureza humana, seus sentimentos, ambições e no que acreditava, assuntos os quais ela não se sentia segura para conversar com ninguém. Em jun./1944 alguém trouxe ao esconderijo a notícia da invasão aliada na Normandia o que a deixou eufórica com a possibilidade de uma reviravolta no andamento da guerra na Europa.
Dois meses depois, através de algum delator, jamais revelado, a Polícia Secreta invadiu o esconderijo e levou todos os moradores para a sede da Gestapo onde foram duramente interrogados e transferidos para uma casa de detenção provisória. Por estarem secretamente escondidos foram considerados criminosos e transferidos mais uma vez para um campo de trânsito onde foram submetidos a trabalhos braçais forçados. Os empregados que ajudaram os Franks também foram presos e considerados inimigos do regime. Uma das secretárias foi liberada e voltou ao esconderijo onde encontrou os escritos de Anne espalhados pelo chão assim como outros objetos pessoais. Ela os guardou sem saber no que aquilo iria se transformar anos depois.
Em set./1944 a família Frank, assim como os demais prisioneiros do esconderijo, foram transportados para o campo de Auschwitz, na Polônia, lá chegando após três dias de exaustiva viagem. Na confusão do desembarque de mais de mil passageiros, Otto foi separado de sua família. Os menores de quinze anos foram imediatamente levados a câmara de gás e Anne escapou como uma das mais jovens, pois havia completado quinze anos há três meses. Anne foi despida para desinfecção, teve os cabelos raspados e foi tatuada no braço com um número de identificação prisional. De dia era obrigada a trabalho escravo e à noite dormia em camas empilhadas dentro de alojamentos subumanos e superlotados. Ela, sua irmã e sua mãe estavam juntas sem saber o paradeiro do pai. Em pouco tempo as condições de saúde das três se deteriorou devido ao grande esforço nos trabalhos diários e a escassez de alimentos. Elas contrairam sarna e foram levadas a enfermaria onde as condições nem por isso eram melhores. Sua mãe, Edith, parou de comer e o pouco alimento que recebia passava para as filhas. Em out./1944 a direção do campo começou a transferir as mulheres para Bergen-Belsen, outro campo mais a oeste, contudo a mãe de Anne foi deixada para trás e morreu de inanição logo depois, com apenas 45 anos de idade.
Em Bergen-Belsen a situação foi ainda pior, pois devido a transferência de prisioneiros a população cresceu muito e com isso a proliferação de doenças se alastrou. Margot estava tão fraca que nem saia mais de seu beliche no acampamento. Em mar./1945 uma epidemia de tifo se espalhou pelo campo e vitimou 17 mil presos entre eles Margot Frank. Dias depois foi a vez de Anne Frank. Duas semanas mais tarde as tropas britânicas libertaram Bergen-Belsen. O campo foi inteiramente queimado para evitar a proliferação das doenças e os mortos foram enterrados em vala comum. Jamais se saberá o local exato onde o corpo de Anne foi enterrado.
Otto Frank, pai de Anne, sobreviveu aos maus tratos do campo na Polônia e, tão logo conseguiu, retornou a Holanda no intuito de localizar sua família. Logo descobriu a morte de sua esposa, Edith, ainda em Auschwitz, todavia manteve-se esperançoso em encontrar vivas suas duas filhas. Após várias semanas de busca ele finalmente soube, pela Cruz Vermelha, do destino cruel de Anne e Margot. Os escritos do diário de Anne lhe foram entregues juntamente com um maço de notas soltas por uma de suas ex-secretárias que os haviam guardados na esperança de um dia devolvê-los a sua autora.
Em sua auto-biografia o pai de Anne Frank descreve os momentos de emoção e dor que ele viveu ao ler pela primeira vez os escritos diários de sua filha no esconderijo secreto, revelando um lado profundo da personalidade de Anne que ele nem imaginava existir. Em abr./1946 um artigo (A Voz de uma Criança) publicado num jornal holandês, com a autorização de Otto Frank, teve repercussão nacional ao dar crédito ao diário de Anne como uma prova contundente de todo o horror nazista mais do que todas as provas do Tribunal de Nuremberg reunidas. O artigo atraiu a atenção dos editores e a primeira versão do livro foi publicada em 1947, ainda na Holanda, seguida por uma segunda versão em 1950. Neste mesmo ano foi publicado na Alemanha e França e, dois anos depois, o "Diário de Anne Frank" foi publicado na Inglaterra e nos Estados Unidos. Daí por diante o livro tornou-se best seller mundial.
Em mai./1957 um grupo de cidadãos, entre eles o pai de Anne, criou uma fundação com o objetivo de restaurar o prédio onde os Frank se esconderam dos nazistas em Amsterdã e torná-lo acessível ao público. Três anos depois o sonho destes homens tornou-se realidade e a "Casa de Anne Frank" foi resgatada recebendo visitantes de todos os países do mundo. Hoje é ponto de parada obrigatória dos turistas na capital holandesa e até um museu virtual existe para divulgar a estória da adolescente que morreu em campo de concentração, mas deixou, sem saber, um legado inigualável para a humanidade.






quinta-feira, 5 de julho de 2012

O Homem que Nunca Existiu


Em abr./1943 o Alto Comando das Forças Aliadas concluiu que a derrota das forças alemãs no norte da África era questão de semanas. Em retirada constante o exército ítalo-germânico ficou espremido na Tunísia pelas tropas britânicas vindas do leste (Líbia) e pelos norte-americanos do oeste (Argélia). Sem apoio aéreo e com o abastecimento de armas, combustíveis e mantimentos esgotado nada mais restaria senão uma rendição em massa. Todavia, qual seria o próximo passo estratégico na sequência ?
Essa pergunta incomodava os generais alemães, contudo eles sabiam que os aliados desembarcariam pelo Mediterrâneo em algum ponto ocupado por suas tropas, mas onde ? Grécia ? Sul da França ? Itália ? Onde concentrar reforços para impedir uma invasão ? Era preciso evitar uma nova frente na guerra pois a situação na Rússia não ia nada bem.
O serviço secreto britânico no intuito de confundir a decisão dos alemães forçando-os a transferir soldados para longe do local correto do desembarque criou uma farsa formidável, uma isca coberta de detalhes falsos que o inimigo haveria de morder. Foi a Operação Mincemeat, cuidadosamente planejada para evitar um outro fracasso como o ocorrido no ano anterior em Dieppe.
A operação estava centrada na criação de um homem falso chamado "Major Willian Martin" da Marinha Britânica que trazia consigo documentação ultra-secreta relacionada a futuras ações de desembarque na ilha da Sardenha e sul da Grécia, contudo o avião no qual ele viajava teve problemas e caiu no Mar Mediterrâneo, próximo a costa espanhola. Muito embora o "major" estivesse de colete salva-vidas faleceu afogado no desastre com a maleta que continha os tais documentos presa ao seu pulso por uma corrente. Uma vez ele sendo resgatado pelos espanhóis, simpáticos a Hitler, o corpo seria entregue aos nazistas para checagem da história. Mas como enganar a enorme rede de espiões que trabalhava para o governo alemão ? A isca deveria ser a mais próxima da verdade. Todos os documentos que ele portava eram verdadeiros, produzidos dentro do quartel general, assinados pelos comandantes regionais, com carimbos e numeração também verdadeiros. Além disso o serviço secreto tratou de dar vida pessoal ao "major". A farda que ele usava trazia seu nome bordado, colocaram em seus bolsos bilhete de sua noiva, tickets de teatro da véspera do desastre e até nota de lavandeira. Tudo poderia ser checado que haveriam de dar crédito ao achado. Um patologista foi convocado para escolher o corpo de algum cidadão recentemente falecido que protagonizasse o militar falso. Encontraram um mendigo alcoólatra que morrera de pneumonia que tinha as caracteristicas necessárias para encenar a isca.
Na noite de 30/04/1943 um submarino britânico lançou no local previamente planejado uma cápsula que se abriria no mar. Quase ninguém a bordo sabia o que havia dentro. Um pescador espanhol encontrou o corpo trazido pela maré e avisou as autoridades navais que, de imediato, comunicaram o evento aos nazistas. De fato o serviço de espionagem alemão verificou a exatidão das informações que o corpo trazia e, após uma semana de contra-informações, o Alto Comando Aliado recebeu notícias de que grande contingente de tropas alemães estava sendo transferido para a Grécia, Córsega e Sardenha. Até mesmo blindados que se preparavam para a ofensiva em Kursk, na Rússia, haviam sido remanejados. O inimigo havia mordido a isca !
No dia 13/05/1943 o Grupo de Exércitos África se rendeu e os aliados passaram a acreditar num desembarque com pouca resistência na Sicília. A Operação Husky deu-se em 09/07/1943 e pegou o inimigo de surpresa. Os defensores italianos e alemães não conseguiram deter a grande quantidade de soldados e material desembarcado. Dois meses depois o governo italiano ajustou uma rendição secreta com os aliados e Mussolini foi deposto. O país mais fiel aliado de Hitler agora lhe declarava guerra. Foi um duro golpe contra o Führer. A experiência adquirida garantiu o sucesso um ano mais tarde na invasão da Normandia.
Essa interessante estória foi, anos depois, escrita em livro e tornou-se filme.



segunda-feira, 2 de julho de 2012

SKORZENY, Otto (*12/06/1908†05/07/1975)



"O Homem mais Perigoso da Europa"

✠ Otto Skorzeny (12 June 1908 – 5 July 1975):Otto Skorzeny nasceu em Viena, Áustria, em jun./1908, filho de pais de origem germânica. Em 1926 ingressou na Universidade de Viena para estudar Engenharia. De boa postura atlética (1,94 m de altura) logo interessou-se por esportes e escolheu a esgrima como seu favorito, participando de duelos num dos quais recebeu a honrosa cicatriz no rosto (schmisse), motivo de orgulho para os adeptos daquele esporte. Em 1931 ingressou no NSDAP austríaco e trabalhou sorrateiramente na anexação daquele país ao Reich alemão, ocorrida em mar./1938. Pouco antes da 2ª Guerra estourar alistou-se na Luftwaffe, mas foi dispensado por ser considerado velho demais (31 anos). Em fev./1940 foi aceito nas SS e arregimentado no batalhão de engenharia do Leibstandarte-SS Adolf Hitler, unidade de elite das Waffen-SS, na qual participou das campanhas dos países baixos, França, Bálcãs e, posteriormente, da invasão da Rússia. Em dez./1942 foi ferido em combate e promovido à Capitão-SS. Durante o período de recuperação foi convidado a ingressar no novo corpo de comandos especiais das SS (Friedenthal Jagerverbande), supervisionado pelo Coronel-SS Walter Schellenberg (vide bio aqui), chefe de contra-espionagem das SS.
Em set./1943 recebeu, diretamente de Hitler, a missão secreta de resgatar Benito Mussolini (Operação Eiche) que encontrava-se detido, em prisão na Itália, após sua deposição do governo. A arriscada operação, com apoio de elementos paraquedistas, terminou em sucesso absoluto e Skorzeny recebeu a honrosa Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro além de ter sido promovido à Major-SS. Em maio do ano seguinte tentou sequestrar Tito, o líder dos partisans iugoslavos, entretanto não foi bem sucedido. Ainda em outubro daquele ano comandou o rapto do líder do governo húngaro (Operação Panzerfaust), Almirante Miklós Horthy e em dezembro, durante a Batalha das Ardenas, comandou a 150ª Brigada Panzer-SS que tinha a missão secreta (Operação Greif) de causar confusão e pânico dentro das linhas aliadas. Para tanto, alguns de seus integrantes estavam disfarçados de soldados norte-americanos, armados com fuzis e utilizando jeeps de procedência norte-americana além de falarem bem o idioma inglês. Apesar da operação não ter alcançado seus objetivos, a confusão foi grande a ponto dos oficiais norte-americanos concluírem que se tratava de uma tentativa de assassinar o comandante-chefe das Forças Aliadas, General Eisenhower.
Skorzeny, um combatente não convencional, ainda participaria de algumas operações especiais até o final das hostilidades que lhe valeu a tão cobiçada Cruz de Cavaleiro com Folhas de Carvalho, contudo caiu prisioneiro dos aliados. Foi julgado e condenado por violação das leis de guerra durante a Batalha das Ardenas. Em jul./1948 conseguiu, astutamente, escapar da prisão em Darmstadt e fugir para a Espanha onde passou o resto da vida trabalhando como engenheiro e empresário de sucesso. Em jul./1975 Otto Skorzeny, com apenas 67 anos de idade, faleceu de câncer em Madrid.
Promoções:
30/01/39 2º Tenente-SS (Allgemeines)
01/02/40 Soldado-SS (SS-VT)
01/05/40 3º Sargento-SS
01/09/40 1º Sargento-SS
30/01/41 2º Tenente-SS
20/04/41 1º Tenente das Waffen-SS
18/04/43 Capitão das Waffen-SS
13/09/43 Major das Waffen-SS
16/10/44 Tenente-coronel das Waffen-SS
20/04/45 Coronel das Waffen-SS


Principais condecorações:
26/08/41 Cruz de Ferro 1939 2ª Classe
12/09/43 Cruz de Ferro 1939 1ª Classe
13/09/43 Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro
16/09/43 Brevê de Piloto/Observador em Ouro e Diamantes
16/10/44 Cruz Germânica em ouro
05/02/45 Broche de Honra das Waffen-SS
09/04/45 Cruz de Cavaleiro com Folhas de Carvalho (826º)
Principais posições/comandos:
21/02/40 - ??/07/43 Leibstandarte-SS Adolf Hitler (LSSAH)
19/04/45 - 08/05/45 RSHA (Escritório Central de Segurança do Reich)
16/06/43 - 16/04/44 Líder do Comando Especial-SS Friedenthal
17/04/44 - 30/09/44 Cmte. 502º Batalhão-SS Jäger
14/12/44 - 31/01/45 Cmte. 150ª Brigada Panzer-SS
01/02/45 - 08/05/45 Líder do Comando Especial-SS Oder