quarta-feira, 4 de abril de 2012

RÖHM, Ernst Julius Günther (*28/11/1887†02/07/1934)

Ernst Röhm nasceu em Munique, estado da Baviera, em nov./1887. Aos 19 anos ingressou no Exército Imperial tendo lutado na 1ª Grande Guerra como jovem capitão. Röhm foi condecorado por bravura diante do inimigo com as duas classes da Cruz de Ferro. Trazia em seu rosto algumas cicatrizes, resultado dos ferimentos recebidos em combate. Por trás desta aparência rude e sisuda, escondia-se uma faceta de caráter que o impedia de juntar-se, em termos sociais, aos seus camaradas de armas - Röhm era um notório homossexual. Em nov./1918 os aliados vitoriosos assinaram o armistício com a Alemanha. Milhares de soldados e oficiais retornaram a um país em colapso pela derrota militar e pelo caos político, embora, no íntimo, o soldado alemão não se sentisse vencido e sim traído pelos políticos corruptos, pelos socialistas e pelos judeus. O Tratado de Versalhes, assinado no ano seguinte, poria a pá de cal na sepultura do antigo poderoso Exército Alemão - foi criada a Reichswehr com um reduzido contingente de 100 mil homens para proteger as fronteiras e a segurança interna. Os que ficaram de fora juraram resgatar sua antiga força militar. E não foram poucos. Muitos destes novos desempregados se juntaram em bandos, formando os chamados Freikorps (Corpos Livres), com estrutura militar precária, mal armados e com uniformes improvisados. Sequer soldo recebiam. Tudo em prol da defesa da pátria mãe contra inimigos internos e externos. 
Röhm não foi desmobilizado como a maioria de seus companheiros de farda, mas continuou a manter contato estreito com aqueles que ingressaram no Freikorps. Ainda em 1919 Röhm conheceu o Partido dos Trabalhadores Alemães (DAP) e ficou impressionado com o magnetismo nato do orador Adolf Hitler. No ano seguinte, ele e alguns amigos filiaram-se ao partido. Esse grupo deu ao movimento nova visão militarista e obteve fundos secretos do Exército regular e armas para o partido, então carente de tudo. Logo, ele e Hitler concordaram que deveria existir um braço armado do partido para proteger os comícios nazistas e expulsar os manifestantes contrários (principalmente comunistas). O capitão Röhm encarregou-se de organizar essa força recrutando entre seus parceiros e amigos do Freikorps os mais truculentos e capacitados para a tarefa. Assim, em nov./1921, depois de algumas trocas de nome, nascia a Sturmabteilung (Tropa de Assalto), conhecida, geralmente, pelas iniciais SA. A farda usada pelos seus integrantes era de cor marrom claro, daí vem o apelido "camisas pardas", uma cópia dos "camisas negras" da Itália. Röhm não podia assumir o comando desta unidade paramilitar pois ainda estava na ativa do Exército regular, mas tratou de indicar um seguidor seu.
Hitler, já presidente do NSDAP, inquietava-se com o fato das SA estarem sendo custeadas pelo Exército oficial. Desejava pô-las inteiramente sob a autoridade do partido, no caso, ele. Röhm, por outro lado, queria exatamente o contrário, manter-se financiado pelo Richswehr, para um dia, após abolido o Tratado de Versalhes, tomar seu lugar, abertamente, com seus homens, ao lado do Exército regular. Desta forma, com uma batalha de egos velada, Hitler designou Göring, em mai./1923, para o comando das SA. Na prática nada mudou, pois tanto Hitler necessitava dos "camisas pardas", para manter a ordem, como Röhm precisava do partido para atingir seus ambiciosos objetivos.
Em nov./1923 houve a tentativa nazista de depor o governo da Baviera, o putsh de Munique ou, como alguns preferem chamar, o "golpe da cervejaria". Confiante no apoio que recebera do General Ludendorff e com as SA fiel à causa, Hitler julgava certo o sucesso. Uma procissão de homens encabeçada pelo futuro ditador saiu marchando em direção ao edifício do Ministério da Guerra e foi recebida à tiros pela polícia. O fim melancólico do golpe parecia ser também o fim de Hitler e do seu movimento nacional-socialista. Como é sabido, Hitler e Hess foram presos, Röhm foi expulso do Exército e Göring, ferido na virilha, fugiu para a Áustria. O NSDAP caiu em desgraça e se esfacelou e as SA foram proibidas por lei.
Röhm, agora fora do Reichswehr, teve a oportunidade de tentar reorganizar o partido e as SA. Hitler, embora estivesse cumprindo pena, foi consultado e aquiesceu, afinal não tinha muita escolha. Röhm pôs-se a trabalhar e com sua capacidade de organização assim como os bons contatos que tinha no Freikorps e no Exército, logo ressuscitou as SA, agora com nova denominação (Frontbann) a fim de burlar a lei que as aboliram.
Hitler tão logo foi libertado, em dez./1924, tratou de reerguer o partido, contudo encontrou um Röhm ainda mais irredutível que antes em relação ao poder do partido sobre as SA. A briga de egos não havia terminado. Por fim a corda arrebentou no lado mais fraco, Röhm solicitou sua renúncia da organização em abr./1925. Hitler preferia não ter nenhuma ala militar no partido a tê-la fora de seu controle. O desiludido capitão, sem outra alternativa viável, aceitou o convite do governo boliviano para ser assessor militar. Röhm passou quase 6 anos em La Paz e, durante este período, Hitler deu nova vida ao NSDAP e conseguiu, agora sem oposição, a reformulação e liderança das SA, além de ressuscitá-la em bases permanentes. Foi mais além, um pequeno grupo de homens que ele havia separado para agir como seu guarda-costas, ainda antes do golpe de Munique, agora havia sido incentivado e cresceu consideravelmente, essa formação era a Schutzstaffeln (Tropa de Proteção) ou simplesmente SS e seu próximo comandante seria um tal Heinrich Himmler.
Em ago./1930 o futuro líder da Alemanha desentendeu-se com o comandante das SA, von Salomon, por motivos bem semelhantes aos que o levaram a romper com Röhm, assumindo sua liderança após a renúncia daquele. Hitler ficou nessa posição por três meses e concluiu que precisava de um homem de sua confiança para assumir essa tarefa sem ameaçá-lo. Ele lembrou que às vésperas da viagem de Röhm para a Bolívia houve um momento de reconciliação entre ambos e que o antigo capitão lhe teria dito - "se precisar de mim, estarei à sua disposição". Não havia dúvidas em Hitler sobre a capacidade de liderança dele, apenas um leve resquício de desconfiança em relação à sua lealdade. Resolveu arriscar. Ernst Röhm recebeu um apelo urgente de seu velho camarada, fez as malas às pressas e retornou para a Alemanha ávido para assumir novos desafios. Tão logo chegou foi feito comandante das SA. Entretanto Hitler havia feito tantas mudanças durante sua ausência que seria quase impossível ele agir de forma independente e ameaçadora. A maior destas mudanças foi desmembrar as SS das SA, transformando a primeira numa unidade inteiramente autônoma da segunda.
Röhm passou a trabalhar freneticamente com diversos objetivos: dar coesão à tropa que em algumas regiões da Alemanha exigia independência, reorganizar verticalmente o contingente como se fosse um exército moderno e, não menos importante, aumentar o seu efetivo. Com essa força sob seu controle Hitler teria possibilidades de chegar ao poder na Alemanha.
Em dez./1932 as SA contavam com um efetivo de mais de 300 mil homens e o NSDAP tinha uma grande bancada no Reichstag, o Parlamento Nacional Alemão. Finalmente, em jan./1933, o velho presidente Hindenburg, à contra gosto, chamou Hitler para formar um governo de coalizão, oferecendo-lhe a chancelaria. Seguiu-se grande desfile noturno das SA e SS sob o Portão de Brandenburg na capital com acordes marciais e clarões de tochas. Tinha início o Reich de mil anos!
Apenas um homem não estava tão satisfeito naquele momento. Este homem era o capitão Röhm, afinal, sua tropa havia ajudado os nazistas a promoverem a revolução nacional-socialista e conquistarem o poder. Uma vez atingido este objetivo, de que serviria seus  milhares de homens? Mesmo porque o Exército oficial, embora nem tão grande assim, fazia parte da máquina do governo. Afora isso havia a rivalidade explícita das SS que não gozavam da má reputação que sua tropa tinha. Hitler fez de Röhm Ministro sem pasta do Reich em dez./1933, e tolerou o poder das SA até que as fiéis SS de Himmler estivessem suficientemente fortes para substituí-las. O novo Chanceler sempre tolerou a depravação pessoal de Röhm enquanto seu partido era oposição e lutava pelo poder, agora tornara-se desagradável. O impasse entre Röhm e a cúpula do Exército era previsível. Sempre foi ambição do chefe das SA incorporar os homens do  Exército à sua tropa e tornar-se comandante supremo. Por sua vez o comando do Exército julgava essa possibilidade completamente inconcebível, afinal como um bando de arruaceiros uniformizados liderados por um homossexual poderia ser o Exército da nova Alemanha? A tradição e honra prussianas da Arma seriam jogadas no lixo. O ditador, em meio a essa queda de braço, assistia tudo somente pensando em trazer para seu lado a única força poderosa que ainda não havia conquistado - o Exército. Ernst Röhm passou a trabalhar nos bastidores tentando aliciar no meio empresarial, civil e opositor, seguidores para sua causa. Com esta atitude colecionou inimigos poderosos dentro do regime: Hermann Göring (presidente do Reichstag e Primeiro-ministro da Prússia), Heinrich Himmler (comandante das SS e chefe da Gestapo), Rudolf Hess (vice-líder do NSDAP), Reinhard Heydrich (lugar tenente de Himmler), Marechal Blomberg (Ministro da Defesa), Joseph Goebbels (Ministro da Propaganda do Reich), General von Reichenau (Chefe de E-M do Exército), General Fritsch (Comandante do Exército), Almirante Raeder (Comandante da Marinha) e outros políticos que deviam favores ao Führer. Ao lado do chefe dos "camisas pardas" havia apenas seus mais fiéis colaboradores e parceiros sexuais no seio da tropa (agora com quase 3 milhões de elementos) e opositores ao novo regime. Acima deste panorama viciado e sórdido estava a figura cansada do Marechal Hindenburg, então com 86 anos de idade, presidente da República de Weimar desde 1925. Um respeitável espectador dos fatos.
Mas havia um plano oculto já desenhado para por fim a esta ameaça. Na noite de 30/06/1934 noticiou-se um boato falso de que as SA estariam orquestrando um levante em Berlim e Munique para o dia seguinte. Hitler enfureceu-se e tomou a decisão - Röhm deveria desaparecer! A ordem foi dada e desencadeou um banho de sangue pelo país. Röhm foi preso e assassinado dois dias depois após recusar-se a tirar sua própria vida. Outros quatro líderes das SA foram enviados ao pelotão de fuzilamento. Os assassinos das SS com seus uniformes negros e botas reluzentes comandados por "Sepp" Dietrich e Emil Maurice vasculharam casa por casa em Munique atrás de suas vítimas a fim de liquidá-las. Não se tratava apenas de expurgar o comando das SA. Goebbels, Himmler, Göring e Heydrich possuíam suas listas particulares de vítimas. Nunca se saberá ao certo quantas pessoas foram assassinadas na "Noite das Longas Facas". Nos dias seguintes a imprensa, sob o tacão de Goebbels, noticiou de forma amena o ocorrido, omitindo detalhes e fatos relevantes. Em 13/07 Hitler foi no plenário do Parlamento dar as explicações oficiais dos acontecimentos. Em seu discurso magistralmente preparado para iludir os ouvintes e a imprensa estrangeira, ele conseguiu justificar a violência contra a cúpula das SA "como reação natural a má conduta, aos excessos alcoólicos e ao banditismo contra pessoas decentes, comportamento este indigno da parte de líderes nacional-socialista". Estes sentimentos, sem dúvida, eram compartilhados pela maioria do povo alemão.
Hitler nomeou um novo chefe para as SA, Viktor Lutze (vide bio aqui), uma posição a partir de agora pouco relevante uma vez que as SS logo suplantariam aquelas.
Promoções:
12/03/08 2º Tenente
??/04/15 1º Tenente
??/04/17 Capitão
Principais condecorações:
? Cruz de Ferro 1914 2ª Classe
20/06/16 Cruz de Ferro 1914 1ª Classe
Principais comandos/posições:
??/12/23 - 17/04/25 Cmte. Supremo das SA
04/05/24 - 17/04/25 Deputado no Reichstag
??/04/25 - ??/12/30 Serve junto ao Exército Boliviano
05/01/31 - 02/07/34 Cmte. Supremo das SA
11/12/33 - 02/07/34 Ministro do Reich

terça-feira, 3 de abril de 2012

HEYDRICH, Reinhard Tristan Eugen (*07/03/1904†04/06/1942)

Reinhard Heydrich nasceu no estado da Saxônia em mar./1904, filho de músicos de alguma notoriedade. Em abr./1922 ingressou na Marinha saindo oficial em 1924. De belo porte atlético, alto, louro, magro e simpático, tinha tudo para ser um oficial promissor. Entretanto, desde cedo, apresentou um atributo que o atrapalhava - era mulherengo demais. Em 1930, muito embora estivesse noivo, envolveu-se com uma moça a qual engravidara. O pai desta era homem influente e amigo pessoal do comandante da Marinha, Almirante Raeder (vide bio aqui). Ele exigiu que Heydrich se casasse com sua filha a fim de lavar a honra da família. Heydrich recusou-se e acabou sendo expulso da Marinha por desonra, em abr./1931. Seu futuro, aos 27 anos, tornou-se uma incógnita, pois estava desempregado, sem dinheiro, num país centro da crise econômica mundial e tinha seu currículo manchado pela exoneração da Marinha.
Sua futura esposa, Lina von Osten, era mulher de temperamento forte além de fervorosa nazista e até mesmo filiada ao NSDAP. Através dela, Heydrich conseguiu uma entrevista com Heinrich Himmler (vide bio aqui) em jun./1931. Este logo se impressionou com as virtudes do candidato, admitindo-o nas SS. A ascensão de Heydrich foi meteórica. Em um ano atingiu a patente de Coronel-SS. Em 1933 foi designado chefe do SD, o Serviço de Segurança das SS, com a patente de Major-general-SS. Esteve sempre ao lado de seu chefe, Himmler, com participação ativa e, até mentora, em todos os fatos marcantes daquela década - a "Noite das Longas Facas"; o assassinato do chanceler austríaco; o processo de "fritura" dos líderes do Exército (Marechal Blomberg, vide bio aqui , e General Fritsch, vide bio aqui); a anexação da Áustria e dos Sudetos Checos; a "Noite das Vidraças Quebradas"; a anexação de Memel; e por fim a "Operação Himmler" que desencadeou a 2ª Guerra Mundial. Heydrich despertava inveja em seu chefe e, certamente, era mais competente que este. Até aos olhos de Hitler ele era mais bem visto.
Em set./1941 Hitler deu-lhe um cargo de relevante importância no Reich - líder do Protetorado (protector) da Boêmia & Morávia (parte do território da Checoslováquia anexado à Alemanha). Heydrich passou a gozar dos privilégios concedidos aos ministros do Terceiro Reich e foi promovido à General-SS e da Polícia. Em outras palavras - livrara-se de Himmler! Tão logo tomou posse atuou de forma despótica e violenta seguindo o comportamento costumeiro dos nazistas - prisão, assassinato e confinamento em campos de concentração. A "reeducação" e o "ajuste de contas" impostos à população e ao governo burocrático existente naquele território lhe valeu um apelido nada agradável - o Açougueiro de Praga. Assim ganhou o repúdio e despertou o ódio dos nacionalistas. Em mai./1942 foi vítima de atentado na capital quando o carro no qual era conduzido foi atingido por uma bomba lançada por guerrilheiros locais. Heydrich foi seriamente ferido por estilhaços e lutou pela vida durante uma semana. O genocida morreu e teve um funeral com honras militares. Um dos convidados, Heinrich Himmler, deve ter vertido lágrimas de crocodilo, afinal fora-se o único homem capaz de tomar-lhe das mãos o comando geral das SS. O que sem remorsos ele faria.
Lidice
Todavia Hitler não deixaria passar em branco a morte de tão valoroso colaborador. Em represália ordenou a destruição do vilarejo checo de Lídice, num dos episódios mais covardes e hediondos de toda a guerra. Ali todos os homens (173) foram fuzilados, as residências queimadas, as mulheres (203) e crianças (104) foram levadas aos campos de concentração, enfim, a cidadezinha foi riscada do mapa.
Promoções:
30/03/22 Cadete-do-mar
01/04/24 Guarda-marinha
01/07/26 Subtenente
01/10/26 2º Tenente
01/07/28 1º Tenente
14/07/31 Soldado-SS (Allgemeines)
10/08/31 2º Tenente-SS
11/12/31 Capitão-SS
18/12/31 Major-SS
02/08/32 Coronel-SS
05/04/33 Coronel-senior-SS
15/11/33 Major-general-SS
30/06/34 Tenente-general-SS
27/09/41 General-SS e da Polícia


Principais condecorações:
??/??/36 Medalha de Mérito dos Jogos Olímpicos de 1936 1ª Classe
30/01/39 Insígnia de Ouro do NSDAP
15/05/40 Cruz de Ferro 1939 2ª Classe
??/07/41 Cruz de Ferro 1939 1ª Classe
09/06/42 Medalha da Ordem de Sangue do NSDAP (póstuma)
09/06/42 Cruz da Ordem Germânica com Espadas em Ouro (2º - póstuma), vide detalhes aqui.
09/06/42 Insígnia de Ferimento em Ouro (póstuma)




Principais posições:
??/08/31 - 27/05/42 Chefe do SD (Serviço de Segurança das SS)
22/04/34 - 16/06/36 Chefe da Gestapo (Polícia do Estado)
17/06/36 - 27/05/42 Chefe da SIPO (Polícia de Segurança das SS)
27/09/39 - 27/05/42 Chefe do RSHA (Escritório Central de Segurança do Reich)
28/09/41 - 04/06/42 Protetor da Boêmia & Morávia




Túmulo

HIMMLER, Heinrich Luitpold (*07/10/1900†23/05/1945)

Heinrich Himmler nasceu em Munique, no estado da Baviera, em out./1900, oriundo de uma família de classe média de tradição católica. Aos 17 anos ingressou no Exército, contudo  o cessar-fogo, em nov./1918, lhe impediu de lutar na 1ª Grande Guerra. Himmler foi desmobilizado e no ano seguinte voltou aos estudos. A situação da Alemanha no pós-guerra era crítica - inflação galopante, desemprego, escassez de alimentos, agitação política e, principalmente, falta de perspectiva - deixando o povo, sobretudo os jovens, a perambular pelas ruas atrás de algum ideal a seguir. Neste triste contexto surgiram no país muitos partidos políticos que pregavam ideologias diversas objetivando tirar a população da miséria. Himmler ingressou no Partido dos Trabalhadores Alemães em 1923 participando de comícios e passeatas trajando uniforme dos "camisas pardas", já que integrava as Tropas de Choque (Sturmabteilung) do partido. Em novembro daquele ano participou do Putsh de Munique, o golpe de estado contra o governo da Baviera, como Sargento-SA. O golpe falhou, seus líderes foram presos e o partido desintegrou. Himmler voltou-se para atividades de sua formação agrícola tornando-se criador de galinhas e vendedor de fertilizantes. Em 1925 após a libertação dos líderes do partido e, por conseguinte, a sua reconstrução, Himmler retornou ao meio político e no ano seguinte foi designado subchefe de propaganda do NSDAP e subcomandante das SS (Schutzstaffel) ou Tropas de Proteção de Munique, um punhado de homens sem importância de uma subdivisão das SA. Himmler tinha um caráter metódico, seguidor de regras e extremamente organizado. Nessa unidade do partido encontrou o campo fértil para estudar a vida dos outros e preparar uma biblioteca de dossiês assim como dedicar-se ao estudo das teorias raciais. Em jan./1929 Hitler promoveu Himmler ao comando geral das SS, com a pomposa função de Reichsführer-SS. Nesta ocasião o contingente da tropa era de apenas 280 homens. Por outro lado, as SA contavam com mais de 60 mil integrantes rivalizando até mesmo com o Exército formal. Hitler lutava pelo poder num mundo em recessão econômica e as SA começavam a incomodar. Deu a Himmler a tarefa de transformar as SS em corpo de elite, composta de homens de raça ariana pura e extremamente leais ao partido. O uniforme preto foi adotado. Por volta de 1933 a formação comandada por Himmler crescera para mais de 50 mil elementos e subdividida em outras unidades que mais tarde escreveriam o nome na história: SS-Verfügungstruppen, depois renomeada Waffen-SS, o braço armado das SS; Geheime Staats Polizei (Gestapo), a polícia secreta estatal e o Sicherheitsdienst (SD), o serviço de segurança e inteligência. Em jun./1934, com os nazistas no poder, ocorreu a famosa "Noite das Longas Facas" que terminou com a rivalidade das SA (então com 3 milhões de integrantes) não só dentro do NSDAP como também no Exército regular (Reichswehr). Os líderes dos "camisas pardas" foram assassinados assim como alguns opositores do regime. O caminho ficara livre de obstáculos para a consolidação do poder.
Himmler agora detinha um enorme poder nas mãos e sua subserviência ao ditador era bastante conveniente. No mês seguinte Himmler participou do assassinato do chanceler austríaco (Dolfus), através de seus agentes em Viena, numa tentativa sem sucesso de anexar aquele país ao Terceiro Reich. Já então na Alemanha eram criados os primeiros campos de concentração e começava a perseguição aos judeus e aos "infratores do regime". Os pilares de uma ditadura racial estavam sendo fincados com o aval da população que acreditava cegamente em dias melhores. Em set./1935 idealizou o conteúdo antissemita da nefasta "Leis de Nuremberg" que distinguia os cidadãos pela origem de seus avós e determinava, caso não fossem alemães puros, a proibição do casamento evitando a proliferação de "espécies inferiores". No ano seguinte Himmler assumiu o comando geral de todas as polícias do Terceiro Reich e em nov./1938 agiu energicamente na "Noite das Vidraças Quebradas". Seu prestígio e poder só cresciam. A Himmler também coube o papel de acender o estopim da 2ª Guerra Mundial. Nesta ocasião, acompanhado pelo seu braço-direito, Reinhard Heydrich (vide bio aqui), simulou um ataque "polonês" à estação de rádio na cidade alemã de Gleiwitz, próxima à fronteira entre os dois países, com o intuito de mostrar à imprensa estrangeira e a propaganda alemã quem havia iniciado o ataque. No dia seguinte as Forças Armadas do Reich invadiram a Polônia. O plano serviu perfeitamente as necessidades do Führer.
Com a guerra já quase no seu segundo ano, Göring delegou à Himmler a ordem de executar a "solução final para o problema judeu", um eufemismo para iniciar a matança sistemática dos judeus presos em campos de concentração. Em ago./1943 foi feito Ministro do Interior do Reich e nos últimos 10 meses do conflito mundial, Hitler, certamente num ato de desespero, o nomeou comandante de dois Grupos de Exércitos, além do Exército Metropolitano (Reserva), esquecendo-se que o antigo criador de galinhas não tinha formação militar, somente irrestrita lealdade. Não durou muito nesta função. Ainda caberia à ele o comando da Volkssturm, uma milícia composta de civis velhos e adolescentes sem qualquer preparo, cujo destino era a morte certa. Em 25/04/1945 Himmler tentou negociar um armistício em separado com os aliados, à revelia do Führer. O "mais leal" acabara de trair. Dois dias depois foi destituído de todos os seus cargos políticos e militares sendo, dias mais tarde exonerado, já sob a gestão do Almirante Dönitz (Hitler o havia nomeado sucessor por testamento). A guerra terminou oficialmente em 08/05/1945 e Himmler vagou de cidade em cidade, sob disfarce, tentando escapar dos vencedores. No dia 23 daquele mês foi parado num posto de fiscalização britânico e preso para averiguação. Nervoso, revelou sua identidade e foi prontamente revistado. Nada foi encontrado, mas faltava examinar a boca. Neste momento ele mordeu uma cápsula de cianeto oculta entre os dentes. Tentaram reanimá-lo, mas foi tudo em vão. Assim morreu o Reichsführer-SS Heinrich Himmler.
Promoções:
02/01/18 Cadete (Exército)
01/12/21 Aspirante
??/03/27 Coronel-senior-SS (Allgemeines)
01/05/31 Tenente-general-SS
15/12/32 General-SS 
01/01/33 General-SA
30/08/34 Líder-SS do Reich (Reichsführer-SS)





Principais condecorações:
09/11/33 Medalha da Ordem de Sangue do NSDAP (3º)
??/??/34 Insígnia de Ouro do NSDAP
??/??/36 Medalha de Mérito dos Jogos Olímpicos de 1936 1ª Classe
20/01/38 Insígnia de Honra da Juventude Hitlerista em Ouro e Folhas de Carvalho
30/07/42 Grã-Cruz da Cruz de Liberdade com Espadas (Finlândia)
??/07/42 Brevê de Piloto/Observador em Ouro e Diamantes
??/05/44 Cruz da Ordem Germânica (6º), vide detalhes aqui.




Principais posições/comandos:
??/??/26 - 05/01/29 Subcomandante das SS em Munique
06/01/29 - 27/04/45 Cmte. das SS, depois Líder Supremo das SS
10/03/33 - 06/04/33 Comissário de Polícia em Munique
20/04/34 - 22/04/34 Chefe da Gestapo
??/10/34 - 31/03/36 Cmte. Polícia em Munique
17/06/36 - 27/04/45 Cmte. Geral da Polícia do Reich
01/06/40 - 30/01/43 Chefe do Cmdo. das Waffen-SS
15/08/40 - 30/01/43 Chefe da Administração Central das SS (SS-FHA
04/06/42 - 30/01/43 Chefe do RSHA²
24/08/43 - 27/04/45 Ministro do Interior do Reich
21/07/44 - 27/04/45 Cmte. Exército Metropolitano
13/09/44 - 21/03/45 Cmte. Regional da Costa Norte
01/12/44 - 23/01/45 Cmte. Grupo de Exércitos Oberrhein
02/12/44 - 27/04/45 Líder Supremo da Volkssturm
28/01/45 - 20/03/45 Cmte. Grupo de Exércitos Vístula

Obs.: ¹ SS-Führungshauptamt - Quartel general de operações das SS, responsável pela administração das escolas de cadetes, serviços médicos, logística, taxas e pagamentos. Foi também o órgão responsável pela organização, equipamentos e ordem de batalhas das unidades Waffen-SS. ² Escritório Central de Segurança do Reich.







segunda-feira, 2 de abril de 2012

HESS, Rudolf Walter Richard (*26/04/1894†17/08/1987)

Rudolf Hess nasceu em Alexandria, no Egito, em abr./1894, filho de comerciante alemão. Com 14 anos de idade a família mudou-se para a Alemanha onde concluiu seus estudos e, a contragosto, foi conduzido pelo pai a seguir os negócios comerciais da família. Ao eclodir a 1ª Grande Guerra, em ago./1914, Hess voluntariou-se como soldado chegando ao posto de 2º Tenente, piloto de uma esquadrilha de caças quase no fim das hostilidades. Pelos ditames do Tratado de Versalhes, que reduziu a quantidade de militares das forças armadas, Hess foi compulsoriamente aposentado. Em 1919 retomou os estudos na Universidade de Munique, entretanto sem muitas perspectivas de vida profissional e, como outros jovens de sua idade, numa Alemanha em precária situação financeira e política, Hess juntou-se ao Partido dos Trabalhadores (DAP), em jul./1920, após escutar o discurso inflamado do orientador do partido, Adolf Hitler. Hess tornou-se um devoto de suas ideias nacionalistas. Na sequência juntou-se as SA e, durante o golpe de estado de Munique (Putsch), em nov./1923, comandou um batalhão de homens ao lado do líder do movimento. Após o fracasso do golpe, Hess foi preso juntamente com Hitler, passando sete meses na prisão de Landsberg. Alí gastava o tempo auxiliando o futuro ditador a redigir seu livro, o qual mais tarde seria leitura quase obrigatória aos seguidores do nazismo. Após a libertação, em dez./1924, esteve ao lado de seu líder na reconstrução do partido, tornando-se, oficialmente, seu secretário e ajudante particular. Em 1929 transferiu-se para a nova formação SS, atuando como líder na Alta Baviera. 
Após a tomada do poder pelos nazistas, em jan./1933, foi feito General-SS e Ministro do Reich além de ser nomeado Vice-führer, o terceiro homem em importância no Terceiro Reich, atrás apenas de Hitler e Göring. Hess esteve presente em todas as ocasiões e eventos militares, embora fosse considerado inábil politicamente. Logo foi ofuscado pelo brilhantismo de outros líderes como Himmler, Göring e Goebbels. Isso o incomodava e deixava-o com sentimento de inferioridade aos olhos do seu grande mestre. Acreditava que sua posição no regime era quase figurativa, o que não deixava de ser verdade. A 2ª Guerra Mundial eclodiu e Hess continuava à margem das grandes decisões que traçavam um novo rumo para a Alemanha. Era preciso fazer uma coisa grandiosa que o pusesse de volta no mais alto patamar político. Após a queda da França e dos países baixos, em meados de 1940, e com a Inglaterra sendo ameaçada de invasão, ele achou que era a oportunidade certa para agir. Como era piloto experiente resolveu fazer um voo solo clandestino até a Escócia a fim de tratar um armistício com os ingleses através de seu velho amigo Duque de Hamilton, a quem havia conhecido durante os Jogos Olímpicos de Berlim-1936. Hess decolou de Augsburg em 10/05/1941, à noite, sem notificar qualquer pessoa. Perto de seu objetivo, cinco horas depois, e sendo perseguido por caças britânicos de contenção, Hess saltou de paraquedas deixando sua aeronave (Me Bf-110) espatifar-se no solo. Ao chegar em terra foi imediatamente preso e, apresentando-se com nome fictício, disse que trazia importante mensagem ao Duque de Hamilton. Este, após ser notificado, esteve com Hess e, mais tarde, revelou sua identidade às autoridades. No dia seguinte, a notícia da prisão de Rudolf Hess caiu como uma bomba em Berlim. Hitler, totalmente enfurecido, logo tratou de desmentir que ele estivesse em missão oficial e que tratava-se de um ato insano. Hess foi destituído de todos os cargos que ocupava no governo e no NSDAP. Passou os próximos quatro anos em cárcere na Inglaterra e tentou o suicídio mais de uma vez. 
Ao final da guerra, foi levado para a Alemanha a fim de se submeter a julgamento coletivo no Tribunal Militar Internacional de Nuremberg. Durante as sessões visivelmente demonstrou sinais de desequilíbrio mental. Sua sentença foi prisão perpétua. Hess foi encarcerado em Spandau e, depois da liberdade de Schirach e Speer, em out./1966, passou a ser o único prisioneiro da 2ª Guerra, por pressão dos soviéticos. Em ago./1987 Rudolf Hess foi encontrado enforcado. Tinha 93 anos de idade, 46 dos quais passou em cativeiro.




Promoções:
??/04/15 Soldado (Exército)
? Sargento Jr.
16/10/18 2º Tenente
05/12/32 Tenente-general-SS (Allgemeines)
01/07/33 General-SS
Principais condecorações:
??/04/15 Cruz de Ferro 1914 2ª Classe
? Insígnia de Ouro do NSDAP
? Medalha da Ordem de Sangue do NSDAP
Principais posições:
21/04/33 - 10/05/41 Vice-führer do Reich
01/12/33 - 10/05/41 Ministro de Estado do Reich (sem pasta)
04/02/38 - 10/05/41 Membro do Conselho do Gabinete Secreto do Reich
30/08/39 - 10/05/41 Membro do Conselho de Defesa do Reich

domingo, 1 de abril de 2012

GOEBBELS, Paul Joseph (*27/10/1897†01/05/1945)

Joseph Goebbels nasceu em out./1897 na pequena cidade de Rheydt, próximo de Düsseldorf. Quando criança foi incapacitado pela poliomielite e, mais tarde, a osteomielite, que o deixou manco da perna direita pelo resto da vida. De baixa estatura e corpo franzino, além da deficiência física, nunca foi chegado a participar de atividades que exigiam agilidade ou velocidade. Seria, mais tarde, a antítese de toda a filosofia nazista da raça ariana. Em contrapartida, o jovem Goebbels tinha virtudes que compensavam de sobra suas fraquezas físicas - era dotado de muita inteligência e nos estudos sempre foi um aluno exemplar; no relacionamento humano sabia como ninguém tirar proveito do sarcasmo e da arrogância. Quando a 1ª Grande Guerra estourou, em ago./1914, voluntariou-se para o Exército com 17 anos, contudo, obviamente, foi rejeitado devido às suas limitações físicas. Desapontado, dedicou-se ainda mais aos estudos. Em 1917 matriculou-se na Universidade de Bonn após ter sido aprovado no ginásio com as maiores notas da escola. Muito embora tenha passado por outras universidades, em 1921 recebeu seu grau de doutorado em Filosofia. Goebbels filiou-se ao Partido Nacional-socialista (NSDAP) em dez./1925 e rapidamente tornou-se um nazista fervoroso e fiel seguidor de seu líder.  Em out./1926 foi apontado Gauleiter (líder distrital) de Berlim. Em jan./1928 assumiu a direção de propaganda do NSDAP e em maio do mesmo ano foi eleito deputado no Reichstag (o Parlamento Alemão). Nas eleições de 1930 e 1932 atuou de forma admirável aumentando em muito o número de deputados do NSDAP no Parlamento através de seus discursos eloquentes. Logo após a subida dos nazistas ao poder, em jan./1933, foi designado Diretor do Setor Radiofônico e Ministro da Propaganda do Reich. Em maio daquele ano incentivou a queima pública em Munique de livros considerados perniciosos (judeus) ao nazismo. Participou também, em jun./1934, da trama diabólica que levou à morte o comando principal das SA e outros "inimigos" do poder. Gastou ainda uma fortuna em propaganda do Terceiro Reich no exterior com intuito de mostrar ao mundo que a Alemanha desejava "atingir seus objetivos territoriais por meio da paz", um grande engodo. Em nov./1938 quando do saque nazista às lojas de judeus e destruição das sinagogas (a famosa "Noite das Vidraças Quebradas"), Goebbels veio à público dizer que nada havia acontecido! Os correspondentes estrangeiros foram instruídos a omitir os fatos sob o risco de perderem seus cargos na Alemanha. Assim, durante os anos pré-guerra, Goebbels especializou-se em fazer teatro com os fatos para atingir os objetivos de seu líder, mesmo que isso significasse enganar seu próprio povo.
Em dez./1931 Goebbels casou-se com Magda Quandt, uma bela mulher divorciada, de temperamento forte e nazista fanática, com quem teve seis filhos, todos batizados com nomes cuja primeira letra era H, em homenagem a Hitler! Goebbels, segundo citam alguns autores, tinha um apetite sexual voraz e não se permitia inatividade durante os períodos de abstinência imposto pela gravidez de sua esposa. Desta forma registraram-se breves casos extraconjugais com suas secretárias e outras mulheres do mundo da publicidade e do cinema. Magda não era cega e encarava a infidelidade de seu marido como parte do seu trabalho pela Alemanha e pelo Führer ! Contudo uma outra mulher na vida do ministro estava colocando a reputação do regime em xeque-mate.
Lida Baarova, uma linda atriz do cinema checo, também casada, tornou-se sua amante a ponto dele sequer voltar para casa. Não era possível manter o relacionamento em segredo, distante do escândalo público. Isso enfureceu o ditador que ameaçou exonerar o apaixonado ministro e mandá-lo para Tóquio como um diplomata coadjuvante. Nem isso balançou Goebbels, que pensava em divorciar-se de Magda e levar Lida consigo para o Japão. Então Hitler radicalizou - proibiu Lida de atuar em filmes alemães e a mandou de volta para a Checoslováquia escoltada por agentes da Gestapo, exigindo a reconciliação do casal Goebbels, afinal ele era um dos padrinhos. O assunto aos poucos foi arrefecendo e acomodou-se.
Durante a 2ª Guerra Mundial Goebbels esteve sempre por trás das grandes notícias vindas do front e, mais do que qualquer outra pessoa, sabia aproveitar-se disso, capitalizando louros para o regime no caso das vitórias, enaltecendo o heroísmo dos generais ou então diminuindo a importância das derrotas. Por vezes usava sua popularidade para angariar fundos ou roupas de frio para os soldados em luta na Rússia. Quando o 6º Exército Alemão rendeu-se em Stalingrado, no começo de 1943, o "manipulador das massas" menosprezou o número de prisioneiros e mortos divulgados pela imprensa russa na tentativa de iludir o povo. Tempos depois foi nomeado "Diretor do Reich para a Guerra Total", uma posição surreal, pois ele sequer tinha formação militar. Sua função - levantar o moral do povo e lançá-lo contra todos os inimigos do Reich, principalmente os soviéticos, a qualquer custo. Não era tarefa difícil para ele, pois manobrava magistralmente os recursos da psicologia de massa para atingir suas metas. No atentado à bomba que por pouco não matou Hitler, em jul./1944, Goebbels teve participação fundamental no desfecho do golpe militar contra o regime nazista que correu a seguir em Berlim. Graças à ele o comando de uma guarnição militar da capital teve a certeza que o Führer não morrera e que os golpistas eram outros, revertendo a situação e prendendo os conspiradores. Nos meses finais da guerra foi o grande incentivador moral da Volkssturm, uma milícia popular composta por voluntários de 16 à 60 anos, num esforço insano de jogar civis incapazes e mal armados para a linha de combate em nome de um ideal desgastado.
Goebbels e sua família mudaram-se para o abrigo subterrâneo de Berlim a fim de se juntarem ao ditador nos últimos dias do conflito mundial. Ali, num último devaneio, noticiou a Hitler que a recente morte do presidente norte-americano Roosevelt mudaria o rumo da situação em favor da Alemanha. Hitler ainda o nomeou, em testamento, Chanceler do Reich tão logo se suicidasse. Entretanto, sequer chegou a tomar posse. Numa Alemanha sem o nacional-socialismo e seu grande mestre, Adolf Hitler, seria impossível viver. Ele e sua esposa fizeram um pacto macabro - envenenaram seus seis filhos menores e em seguida se suicidaram nos jardins da chancelaria, ao lado da entrada do bunker, em 01/05/1945 (vide mais detalhes aqui). Por ordens suas, alguns ajudantes incendiaram seus corpos e os enterraram ali mesmo, em meio a uma chuva de bombas soviéticas. Uma frase de sua autoria ficou para a posteridade e, por mais forte que seja, até hoje ainda dá o que falar - "uma mentira dita cem vezes, tornar-se verdade".



BERGHOF (a casa de campo de Hitler)

Em 1916 um banqueiro alemão chamado Otto Winter construiu uma modesta casa de campo com poucos aposentos e resolveu chamá-la com o sobrenome de solteira de sua esposa. Aí nascia a Wachenfeldhaus (casa de campo Wachen). Situava-se nas montanhas de Obersalzberg, nos alpes bávaros, próximo a pequena vila de Berchtesgaden, na fronteira austríaca.
Ao deixar a prisão de Landsberg, após o fracassado golpe de estado (putsch) de Munique, Hitler alugou uma pequena casa de madeira a fim de dedicar-se ao segundo volume de seu livro Mein Kampf. Esta casinha situava-se nas montanhas de Obersalzberg.
Em 1927, através de sua meia-irmã, Angela Raubal, Hitler alugou a casa da viúva de Otto Winter, a Wachenfeldhaus, 500 metros acima de seu casebre de madeira, assegurando o direito de comprá-la em jun./1932 com os recursos advindos da venda de seu famoso livro, que se tornou uma espécie de "bíblia sagrada" aos adeptos do nacional-socialismo.
Após sua indicação como chanceler da Alemanha, em jan./1933, o ditador contratou um renomado arquiteto para reformar a casa. Esta reforma tratou de acrescentar um jardim de inverno frontal, um amplo terraço por cima de uma garagem e uma construção anexa na parte leste da residência.
Entre 1935/36 uma reforma ainda maior, supervisionada pelo mesmo arquiteto, ampliou a residência de maneira considerável, acrescentando uma nova construção de dois andares na parte oeste e alongando o terraço, o que tornou todo o aspecto numa obra imponente e moderna com excelente vista panorâmica para as montanhas adiante, resultando no que ficou conhecido como Berghof.
Finalmente em 1939 uma terceira e última reforma foi executada também na parte oeste da residência que foi estendida para atender os aposentos do pessoal de apoio. Uma nova pista de carros também foi acrescentada para facilitar o acesso direto.
Logo uma grande quantidade de prédios e residências foi sendo construída ao redor do Berghof, transformando a área num imenso complexo, composto de hotéis, casas de políticos famosos (Bormann, Keitel, Göring e Speer), casa para hóspedes ilustres, instalações militares, sistemas de bunkers, escolas, casas de chá, pontos turísticos, fazenda modelo, etc.
Em 25/04/1945 o complexo de Obersalzberg foi bombardeado pelos pesados aviões da RAF transformando o local em ruínas. Sete anos mais tarde o governo da Baviera mandou dinamitar o que sobrou do Berghof para que o local não se transformasse em santuário de neonazistas.


Sugerimos ao caro visitante, a fim de obter maiores detalhes do Berghof, checar as fotos de outra postagem deste blog aqui.